notas de fim de semana - entre critérios e regras

serei dos primeiros a concordar e a assumir que são precisas regras para a (con)vivência social; regras que definem procedimentos, que instituam possibilidades, que clarificam límites;

mas serei também dos primeiros a dizer que tudo o que é demais cheira mal; com regras a mais facilmente se resvala para autoritarismos, para o cercear de liberdades pessoais e individuais, para a limitação da criatividade e da espontaneidade;

difícil mesmo é gerir as regras necessárias e a liberdade individual, a uniformização e a criação que permite (re)criar outras regras;

tudo isto para afirmar que as escolas têm vivido debaixo de regras, que se confundem processos com procedimentos, que se tentam criar regras por dá cá aquela palha;

e, atenção aos pormenores, que fazem toda a diferença, tanto são regras de escritas, discutidas e debatidas, como são regras de procedimento, estas traduzidas em grelhas, em tabelas, em matrizes que, ao definirem e uniformizarem um pensamento em função de uma preocupação que é de alguém e não de todos, instituem, por si, uma regra que não é de todos mas de quem solicita a matriz, a tabela, a grelha;

mais, há quem institua um projeto educativo como uma continuidade de regras e estebeleça de forma leviana, a ponte entre projeto educativo e regulamentos internos por via das inúmeras regras e procedimentos que uns e outros instituem e definem;

como se não soubesse, ou não quisessem saber que um projeto educativo é do campo dos critérios, isto é, com que critérios constituo turmas, distribuo serviço letivo, organizo horário, indico ou nomeio pessoas enquanto os regulamentos definem as regras do permitido, delimitam as balizas do possível e estabelecem os contornos de uma convivência coletiva;

as regras predominam por que são a força de gente fraca, daqueles que instigam ao medo para poderem fazer e assegurar os seus objetivos e interesses; raros, muito raro são aqueles que privilegiam os critérios por via da transparência e clareza da sua ação; maioria clara são os que apregoam, por ignorância, medo ou simples fraqueza, a lei para que outros cumpram os que uns interessa;

a escola tem vivido no meio das regras que uns definem e outros cumprem, e outros fazem cumprir, a escola, na sua dimensão social, devia privilegiar critérios, clareza, transparência dando e criando oportunidade às dimensões mais criativas das pessoas, à espontaneidade que permite identificar alternativas e outros caminhos;

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