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influências

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há muito se sabe e se estudam as influências que um dado território exerce sobre as pessoas e, no caso que me interessa, nos resultados escolares de cada um - resultados em termos de indicadores, mas também de expetativas, percepções, valor;

o território é composto, entre outras variáveis, pela sua história, cultura e tradição, muita das vezes definida pelo princípio de exploração e organização da terra; em tempos O. Ribeiro falava de determinismo geográficos na organização não só do território, mas também das relações;

por onde ando tenho tentado perceber a forma como o território influência, implica ou determina formas específicas ou diferenciadas na relação que cada um assume com a escola - com os resultados escolares, com as suas expetativas...

atenção que falo de ambientes entre o rural e o urbano, contextos ainda muito marcado pelas dimensões rurais mas, digo, em transição (organização e exploração da terra e do território, predomínio de atividades do setor dito primário, ofert…

o diretor de turma

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cada vez mais me apercebo do papel e da dimensão determinante que o diretor de turma (DT) pode/deve ter perante, essencialmente, os alunos;

o DT é visto e está manifestamente sobredeterminado na sua dimensão burocrática e administrativa (justificar faltas, acompanhar absentismos, preparar reuniões, recolher tabelas, grelhas, matrizes, preencher tabelas, matrizes, quadros, grelhas, responder a indicadores);

o DT é um faz tudo - é professor, orientador, por vezes psicólogo, assistente social, familiar, padre ou missionário, amigo ou ouvinte, ou apenas uma pessoa, por vezes um profissional; e eu gosto disto, reconheço;

no que me diz respeito tentei, já por diversas vezes, instituir-me como coordenador de uma equipa de docentes; falar de estratégias de abordagem ao aluno, de promoção (individual e coletiva) do sucesso; diferenciar situações (metodologias, estratégias, opções), isto é, tentei re construir currículos em função dos docentes e das turmas; das vezes que tentei fiquei sempre a…

coisas do sucesso

ou da falta dele

direi que me sinto algo entalado;

entre, de um lado, convições e ideias de escola e da sua organização

e

do outro

pressupostos e orientações de trabalho e da ação docente;

escrevi numa última entrada
as estratégias de promoção do sucesso vão recair sobre o trabalho dos professores, esta uma pequena grande divergência com o chefe de missão;

divergência por que considero que deviam incidir em questões de organização escolar e letiva (coisa que sei que o senhor chefe de missão concordaria comigo) - mas estas notícias desmentem e contradizem em absoluto;

o que as opções e orientações definem, de um lado, e as medidas de política fazem mais não é que mostrar, uma vez mais, a desconfiança que o poder central tem relativamente aos seus funcionários;

e aqui o meu entalanço;

é que sei que uns e outros têm razão; afinal, se não existirem orientações muitos dos seus funcionários ficam se não desorientados pelo menos inativos, expectantes;

do outro, sei e tenho consciência que o l…

promoção do sucesso

estão abertas as candidaturas para que as escolas apresentem projetos de promoção do sucesso escolar (até 11 de julho);

que a proposta é perfeita? não senhor, não é;

que as opções, os critérios que definem regras e "impõem" procedimentos às escolas podiam ser outros? é verdade, podiam e, em algumas situações, deviam ser outros;

apesar de ter aqui pano para longa conversa e amena cavaqueira com o chefe de missão, direi que é o que temos;

contudo e a despeito do que é esse projeto ou do que pode vir a ser, por onde ando nada se ouve, nada se diz, em nada os profes são chamados a participar, até ao momento ninguém perguntou qual a opinião deste ou daquele, seja por perfil ou por experiência ou por sei lá, quais os contributos deste ou daquele, que pode um diretor de turma propor, ou um coordenador disto ou daquilo;

se calhar é por que ainda falta muito tempo para a data de entrega e, há boa maneira tuga, tudo fica para o fim;

se calhar é por que já perguntaram a quem de direito…

resultados e processos

há uns anos atrás um chefe que tive virou-se para mim e apregoou clara e assumidamente em tom menos bom

és um tipo de processos e não de resultados;

na circunstância não retorqui, considerei que não era o contexto; depois tive oportunidade de trocar ideias com ele (pessoa de quem muito gosto);

efetivamente não há resultados sem processos, são estes, no meu entendimento, os elementos determinantes não apenas para obter resultados mas, particularmente, para consolidar resultados;

o processo de promoção do sucesso tem passado, em excesso, no meu entendimento, pelos indicadores de resultado, minimizando processos (ainda que estejam presentes, mas não lhe concedem o lugar de destaque e de prevalência que considero mais necessário);

aparentemente a coisa ir-se-á manter, sucesso pelos indicadores de medida, pelos objetivos alcançados, pelas medidas comparativas - afinal o meu antigo chefe é um dos responsáveis pela promoção do sucesso;

e eu pergunto,

não seria tempo e oportunidade de o local…

outras oportunidades

apesar de ter serviço afeto ao agora designado centro para qualificação e ensino profissional (os antigos centro novas oportunidades), esta é a primeira escrita sobre a coisa;

primeiro por que não tem sido fácil perceber e embrenhar-me na coisa e já não gosto de falar (ou de escrever) só por que sim;

depois por que onde estou tem estado um grupo maravilhoso que muito tem contribuído para me sentir integrado num espaço e numa casa que não é a minha - e onde uns fazem questão de mostrar isso mesmo - e não quero espantar nada nem ninguém;

acresce que tem sido uma descoberta deveras emocionante, para ser algo simplista, uma vez que as realidades com que somos confrontados nos permitem perceber muito do que é o aquele concelho, as suas idiossincrasias sociais e políticas, históricas e culturais, familiares e escolares;

(vejam isto, é maravilhoso para perceber o que são as segundas ou outras oportunidades);

e para perceber o quanto é importante que alguém - no local, no espaço de cada pesso…

um fim - ou a falta dele

terminei o trabalho com um dos grupos de vocacional;

deram conta de ser uma coisa que não pensei nem perspetivei inicialmente;

ao princípio perguntava(me) o porquê de ali estarem;

não aparentavam (vou pelas ideias) ser alunos de vocacional; na generalidade respondiam às propostas, não havia empenho por aí e além, mas eram corretos, nada de confusões, barulhos, indisciplina, longe disso;

sinceramente questionava-me sobre o que ali estariam a fazer;

progressivamente percebi;

nenhum dos alunos (são 20) faz ideia do que por aqui  anda a fazer, pela vida e pelo planeta;

nenhum tem ideias, nem claras nem escuras sobre o seu futuro, o que gosta, o que o motiva ou implica, ou o que faz com que saia da cama com vontade e disponibilidade para mais um dia;

nenhum aluno tem objetivos de curto, menos ainda de médio prazo e o longo prazo é uma estrela negra nos confins do universo;

não são dificuldades de aprendizagem, que não identifiquei na disciplina e na relação que mantivemos, é mesmo a marca …

desafios

depois de uma turma que é um desafio, fico assim a modos que...

há mais de 15 anos escrevi um pequeno texto sobre a necessidade de criar sentidos ao trabalho escolar; de implementar e desenvolver estratégias que designo de envolvimento, implicação e trabalho do aluno;

perante algumas turmas (e alguns alunos) coloca-se como crucial desenvolver sentidos mais do que conteúdos, procurar apoiar pessoas, mais do concretizar metas ou objetivos, definir formas de envolvimento, mais do que estratégias disciplinares;

cada vez mais me convenço que as principais estratégias de promoção do sucesso (pelo menos por onde ando ou tenho andado) passam por enfrentar, combater e gerir a falta de sentidos ao trabalho escolar, o desinteresse, a indiferença, o alheamento;

e não mais do mesmo, mais português ou matemática, turmas + ou cursos paralelos;

coisas boas

logo pela manhã percebi que existiam diferentes reuniões no decorrer da tarde e que o tema era o mesmo, processos disciplinares;

e perguntei, entre sarcasmo e simples paródia, e nenhuma delas é da minha direção de turma?

pois não;

ao final da manhã aulas com a turma da qual sou o diretor;

o pessoal arranja-se pelos seus grupos de trabalho, monta-se o estendal de trabalho (aqueles que trabalham) e depois algum silêncio;

um aluno pergunta se eu não queria dizer nada à turma - habitualmente defino objetivos, faço ponto de situação, distribuo uma ou outra tarefa;

comecei por dizer que não, não tinha nada a dizer, hoje que era dia de apresentar trabalhos e fazer avaliações;

mas rapidamente dei o dito por não dito e dei os parabéns à turma;

afinal e desde o início deste período que não éramos os piores em resultados, já tínhamos dois outros grupos/turma atrás de nós em resultados;

agora deixamos de ser a turma com mais reuniões disciplinares, até ao momento 4, outros nos ultrapassaram;

para…

sucesso municipal

uma ideia a reter;

terminou ontem por évora, a ronda nacional entre elementos do ministério da educação e os municípios tendo como ponto essencial, mas não único, o lançamento de projetos de âmbito municipal de promoção do sucesso;

algumas notas;

o sucesso agora passa a ser municipal; qual o papel da escola? e dos professores?

quais as contrapartidas entre as partes, ministério, municípios e escolas?

pelo menos por évora não houve a participação de elementos da ainda existente mas algo decadente estrutura regional desconcentrada do ministério da educação, a dgest alentejo;

porquê?

qual o papel destas estruturas? para acabar? rever? reconverter?

propostas

assim como quem não quer moer muito perguntaram-me, e a todos os outros do departamento, o que tinha a dizer sobre os resultados de 2º período;

em termos de síntese respondi assim:

perante o que considero tão maus resultados certamente que as causas serão diversificadas e por vezes imbricadas umas nas outras, sem se perceber onde começa ou acaba uma ou outra; 

percebo que não queiram culpar os que estão para trás, os tais pré requisitos, mas que estão em falta estão, mas só isso não chega;
percebo que queiram dizer que os pais não cumprem as suas obrigações, mas não creio que seja só, mas que, vendo os pais da minha DT que se sentem desamparados e algo desorientados, é verdade; 
acredito que uns quantos pensem que os senhores professores precisem de alterar lógicas, dinâmicas e práticas, mas será suficiente? o que faz um ou outro mudar quando um CT tem 12?
podemos dizer que as políticas educativas são o que são, mas serão causa plausível para os maus resultados de um contexto? afinal a…

coisas da (de)formação

a formação, coisa entre a teoria e a prática, entre o saber e o agir, é fundamental para quase tudo no que diz respeito a uma ação, orientação, sentidos e culturas profissionais;

pela formação se definem (e consolidam) modelos da ação profissional, ideias dos papéis (objetivos e estratégias) dos elementos envolvidos, se ganham (ou se perdem) dimensões de flexibilidade e agilização das relações, dos modos e dos modelos de ação;

a formação tanto permite pôr uma pessoa a pensar como lhe pode retirar toda a dimensão cognitiva, caso se descai para áreas instrumentais (ou instrumentalizadas), se procurem comprimidos salvíficos de situações ou contextos;

este 21º governo tem como uma das suas estratégias, na área educativa, a formação;

e bem, os professores bem que precisam de perceber que há muitas e diversificadas maneiras de esfolar a peça, que os processos podem ser diversificados para os mesmos resultados, que os caminhos são muitos para se atingirem os mesmos desideratos;

a formação fa…

coisas das ideias e dos valores

simples conversa entre três docentes; não era hora de café mas quase;

um comenta sobre o papel dos professores no (in)sucesso dos alunos; outro diz assim, outro assado;

monta-se uma conversa onde circulam mais que meras ou simples opiniões, são mesmo ideias de escola e de docente, como ideias de aluno e de (ou do) trabalho escolar;

facilmente se percebe que numa amena cavaqueira o que mais há de diferente são valores sobre a escola, a forma como cada um a vê, sente, percepciona e trabalha;

não havendo estratégias de articulação destas diferenças - sempre saudáveis e úteis, desde que não sirvam de forças de bloqueio - então o pessoal fica acantonado cada qual a seu lado e no seu canto;

e depois dizem que é das políticas e dos governos - também é, mas deve-se muito mais à inexistência de pontes e de consensos em termos locais;

coisas do insucesso

durante praticamente três anos acompanhei um grupo/turma de percurso curricular alternativo;

este ano estou com dois grupos de curso vocacional;

têm, entre eles, traços comuns, o desinteresse, a indiferença, algum alheamento perante as disciplinas, o trabalho em sala de aula e, de certo modo, pela escola que pouco ou nada lhes diz; comum também o insucesso, as retenções, a aprendizagem;

antes pesquisei, inquiri e apresentei três ou quatro trabalhos; este ano vá de fazer o mesmo, tentar perceber aquele que é o meu contexto profissional;

tenho feito perguntas e percebido o quão difícil é fazer perguntas, pelo menos perguntas que estejam na origem de uma conversa;

dou por mim a configurar aquele que tem sido o meu objeto de investigação há já algum tempo, o processo de transformação do aluno em cidadão social, o papel da ação escolar, dos professores, a (re)configuração de instrumentos e das estratégias fruto dos tempos e dos modos (de ser aluno como de ser docente e/ou cidadão);

mas ago…

estatística para que vos quero

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a capa do jn de hoje dá conta desta notícia, certamente que terá sido coincidência com a publicação do info escolas alargar os indicadores ao 2º e 3º ciclos;

penso que, por onde ando, nem metade acabam o 9º ano sem chumbar;

sim, e depois, perguntarão aqueles que são e que não são professores; (os pais, desde que não lhes bata à porta, nem perguntam, já era assim no seu tempo);

digo que uns quanto dirão que ainda são poucos, tal o facilitismo que por aí ainda grassa;

outros pensarão coitados dos miúdos, que fazem eles para chumbar assim;

outros dirão que a culpa é dos profes que não ensinam, o que é que andam lá a fazer;

sim senhor, tudo muito bonito, e eu pergunto, e o que é que tem sido feito para isto - ou para evitar ou para acentuar, pois claro;

sucesso e insanidade

assim, na minha escola (será só na minha escola?) se promove o sucesso (e a insanidade dos diretores de turma):
Documentos a entregar para a reunião de avaliação de 3º período

Grelha com propostas de classificação; Grelhas de avaliação de cada disciplina; Relatórios das tutorias (a 1ª parte diz respeito ao tutorando a 2ª à implementação da medida) – devem ser anexados à ata e enviados em suporte digital ao DT; Grelha de presenças na sala de estudo e na turma mais (anexar à ata e enviar em suporte digital ao DT); Balanço das medidas de promoção do sucesso implementadas (sala de estudo, turma mais, coadjuvação, ninhos, grupos de nível, reforço curricular, APES), – devem ser anexados à ata e enviados em suporte digital ao DT; Relatórios/documentos dos alunos com NEE; Grelha com aulas previstas, dadas e cumprimento de programa; Grelha de Conhecimentos não adquiridos/capacidades não desenvolvidas, para os alunos retidos (conforme o previsto no ponto 8, art.º 25º do Decreto-Lei nº 139/2012 de 5 de j…

escolhas de insucesso

ontem na minha escola - tal como em muitas no decurso desta semana, pelo que me apercebi - o dia foi dedicado à apresentação das ofertas formativas, regulares e não regulares, a alunos do 9º ano para o próximo ano;

neste contexto, tenho-me apercebido, como nunca antes, reconheço, a enorme pressão que a família faz sobre o aluno para a escolha pela áreas das ciências e tecnologias; nas formas como condiciona o aluno, como se projetam no aluno sonhos e ansiedades, angustias e expetativas;

não generalizo, falo do concelho onde trabalho, mas para ciências e tecnologias vão os inteligentes, os burritos para línguas e humanidades os outros para artes ou económicas;

a pressão é tanta, os lugares comuns tantos, as banalidades da comunicação social tão evidentes, que há alunos que dizem que vão experimentar e que, se não se derem bem ou se não gostarem, então mudam;

resultado evidente (visto nos indicadores de sucesso de secundário da escola), insucesso, absentismo, abandono, indisciplina (mar…

Dificuldades e desafios do ensino secundário

Tenho uma turma de artes de ensino secundário que mostra e prova os problemas do interior;
A turma é marcada pelo desinteresse, profunda indiferença e rejeição pela área em que está;
Na generalidade estão aqui por três ordens de razão: fuga à matemática e/ou ciências, pretenso facilitismo ou exclusão de partes, não queriam nenhuma das ofertas existentes e vieram aqui parar;
Resultado, taxas de in sucesso globais a razar os 70 e 80% na diferentes disciplinas, absentismo constrangedor, incapacidade de pais e professores responderem à situação;
Existe um claro desfasamento entre ofertas e expetativas;
Num pequeno concelho de interior onde é praticamente impossível a existência de uma oferta plena, mesmo no ensino secundário regular, impossível na diversificação de certa ao nível do profissional, como proceder perante expetativas e anseios, gostos e opções de alunos e famílias? Como conciliar o rigor orçamental (limitação de docentes, numero de alunos por turma) com taxas de sucesso?…