Mensagens

A mostrar mensagens com a etiqueta pessoas

conversa

na passada sexta feira, terminou a formação que tive o privilégio de organizar, a pedido e por indicação da minha diretora;

por circunstâncias que não vêm ao caso tive de ir buscar e levar um dos conferencistas do último dia, o Prof. António Teodoro, um dos fundadores do movimento sindical docente;

um privilégio enorme não apenas ter conhecido pessoalmente quem conheço desde que comecei nas coisas da escola e da educação mas, essencialmente, um privilégio em ter privado e trocado ideias durante duas viagens;

das conversas retiro duas notas

a importância, a determinância de trocarmos conversa olhos nos olhos, sem elementos de mediação, sejam eles virtuais ou o raio;

o essencial baseia.se numa conversa tu cá tu lá, onde trocamos ideias, argumentos, estórias e afetos; a conversa torna-se essencial, determinante para percebermos o que somos;

tal como o povo tuga costuma dizer, as conversas são como as cerejas, vêm uma atrás da outra e só olhos nos olhos, num frente a frente isso é possíve…

opções

Imagem
conversa simples com uma outra professora, ela como eu, deslocada por aproximação;

quais as probabilidades de ficar para o próximo ano?

zero, nenhumas, nicles, responde de forma pronta,

porquê essa determinação tão certa por esta altura?

porque não concorri, descobri que há coisas piores do que estar longe de casa; prefiro estar longe do que ter o horário que tenho que certamente será o mesmo ou muito parecido!!!

ah, fiz eu..

só para esclarecer, a professora, tem duas turmas de 7º, uma de 8º (intragável pelo desinteresse), um décimo profissional, um grupo pief e aulas à noite; um dos dias tem aulas de manhã e à noite..

percebi perfeitamente

não sou o único

Imagem
com o tempo (e as moengas) aprendo;

devagar, que sou alentejano, mas aprendo;

aprendo que nunca pensei sozinho - o que fosse (não tenho essa capacidade);

mas, muitas vezes, era o único que dizia o que pensava, quando a maior parte se calava - para não ferir susceptibilidades, para não criar tensão, para não parecer menos bem;

desta feita e no primeiro dia de aulas, percebo que não sou o único a pensar o que penso sobre a amálgama de projetos;

há mais a pensar como eu, a trocar ideias;

mas só entre dois dedos de conversa e um café, não vá dar-se o caso...

mas que caso, porra?

experimentação

Imagem
o público dá conta da experimentação da utilização de temas de abordagem e não disciplinas;

para efeitos de confusão (até gostava de criar colunas):

não gosto de experiências - na educação, em qualquer área social, são sempre contingentes, diretamente dependentes dos atores - temos bons atores temos um bom teatro, temos atores razoáveis e temos um teatro que nem razoável chega a ser;

gosto da ideia, desenvolver e envolver, implicar e partilhar; lá está a grande frase do trabalho de projeto,

diz-me e eu esqueço , 
ensina-me e eu recordo, 
envolve-se e eu aprendo;

colocar-se-á o grande, o enorme desafio à escola (aos professores e aos pais encarregados de educação, aos diretores):

responder com flexibilidade onde tem presidido a rigidez,
tornar ágil o que é amorfo,
implicar onde tem presidido a autocracia e a determinação;
valorizar o erro em detrimento da resposta correta;
criar espaço para as perguntas sem respostas, onde predominam respostas sem perguntas;
fazer e não reproduzir;
exerc…

aproveitamento

Imagem
conversa de circunstância entre dois docentes;

um crítica os colegas pelo desinteresse, pelo desleixo profissional, pela indiferença em que a profissão de professor descaiu;

outro diz que, como em todas as profissões, há bons e maus profissionais, há interessados e sem interesse, há envolvidos e outros apanhados no turbilhão;

um diz que está cansado, farto, e não é pelo trabalho é pela falta de alento, pela falta de ânimo ou de vontade que cada vez há menos;

o outro diz que há que aproveitar a falta de ânimo para recuperar, a falta de vontade para pôr o aluno a trabalhar, a falta de alento para que se colabore;

o necessário mesmo é saber retirar de cada um o benefício para todos e aí...

à mulher

Imagem
a minha junta de freguesia distribuiu às mulheres um poema de Florbela Espanca;


Um ente de paixão e sacrifício, De sofrimento cheio, eis a mulher! Esmaga o coração dentro do peito, E nem te doas coração, sequer!
Sê forte, corajoso, não fraquejes Na luta: sê em Vénus sempre Marte; Sempre o mundo é vil e infame e os homens Se te sentem gemer hão-de pisar-te!
Se à vezes tu fraquejas, pobrezinho, Essa brancura ideal de puro arminho Eles deixam pra sempre maculada;
E gritam então vis: "Olhem, vejam É aquela a infame!" e apedrejam a pobrezita, a triste, a desgraçada!


curso

Imagem
apesar de curso não se irá ensinar (quase) nada;

amanhã, a abrir, David Justino e José Verdasca; dois olhares sobre uma mesma situação, o sucesso do aluno e os modos de a escola se organizar;

têm os dois o mesmo defeito (entre outros) são ambos de economia, da área da gestão com assento na educação;

têm os dois uma mesma virtude, entre outras, sabem o que dizem, percebem do que falam;

se conseguirmos pensar juntos seria uma coisa interessante e mais interessante ainda se tirássemos ilações em conjunto;

começa amanhã; escola secundária de montemor-o-novo;

no âmbito da formação de professores, no qual está acreditada na modalidade de curso de formação, as inscrições foram largamente superadas; em termos individuais, quem quiser que apareça;

de uma entrevista

esta entrevista do senhor ministro da educação revela, no meu entendimento, três situações interessantes;

uma outra geração (com percurso, história e objetivos diferenciados) chega ao poder; é certo que não é uma gestão linear (tradicional?), mas não deixa de ser interessante perceber como "um [novo] estrangeirado" olha, analisa e gere a política nacional;

gosto das pontes, delicadas, complexas, poliédricas, que perspetiva entre três partidos que têm tido, nos últimos 20 a 30 anos posições tão diferentes quanto o céu e a terra; aproximar diferenças, identificar consensos, construir pontes é muito mais complexo e desafiante que estar rezingão, rabugento, do lado oposto, ser do contra;

mas não deixa de ser mais do mesmo; por um lado limitação e condicionamento da escola pública (aqui o papel das autonomias locais é determinante, com meios e que não se devem esgotar na municipalização, seja qual for o pretexto) e de fazer omeletes sem ovos, isto é, não há dinheiro não há vícios…

outras oportunidades

apesar de ter serviço afeto ao agora designado centro para qualificação e ensino profissional (os antigos centro novas oportunidades), esta é a primeira escrita sobre a coisa;

primeiro por que não tem sido fácil perceber e embrenhar-me na coisa e já não gosto de falar (ou de escrever) só por que sim;

depois por que onde estou tem estado um grupo maravilhoso que muito tem contribuído para me sentir integrado num espaço e numa casa que não é a minha - e onde uns fazem questão de mostrar isso mesmo - e não quero espantar nada nem ninguém;

acresce que tem sido uma descoberta deveras emocionante, para ser algo simplista, uma vez que as realidades com que somos confrontados nos permitem perceber muito do que é o aquele concelho, as suas idiossincrasias sociais e políticas, históricas e culturais, familiares e escolares;

(vejam isto, é maravilhoso para perceber o que são as segundas ou outras oportunidades);

e para perceber o quanto é importante que alguém - no local, no espaço de cada pesso…

dúvidas

caiu um ministro de peso político;

saiu um secretário de estado conhecedor do primeiro ministro, afinal estiveram juntos na vereação da câmara de lisboa;

o titular da educação diz larachas, como eu as disse com a idade dele;

e tudo continua como se nada fosse

impávidos e serenos

até à próxima diatribe

e nós cá estamos para as apreciar

coisas para ler

Imagem
coisas que valem a pena;

mas, estou certo que muitos dirão que
não é na minha disciplina,
não é com os alunos que tenho,
não é na escola onde ando

estou também certo que muitos ficam a pensar: como será possível?

coisas (nem sempre) óbvias

estive com o grupo que é a minha direção de turma;

falámos das avaliações de final de segundo período;

mostrei as notas (e o número de níveis 2 por aluno) no 1º e no segundo período, como dei conta das promessas que eles próprios fizeram há exatamente 3 meses atrás, quando, a 4 de janeiro, nesta mesma aula, pedi que me prometesse resultados para o final do período;

deixei elogios e parabéns a pelo menos 4 alunos, um por que cumpriu rigorosamente o prometido, outro porque ultrapassou positivamente os resultados, a outros dois porque, apesar do seu contexto e enquadramento social e familiar, mostram que é possível fugir ao destino;

elogiei genericamente a turma, pela acentuada descida de níveis 2, para metade daqueles que tinham existido no final do 1º período;

dei os parabéns pela alteração significativa dos comportamentos e pelo generalizado reconhecimento positivo agora feito - em claro contraste com a designação atribuída de zona J;

e era ver as caras felizes, de reconhecimento indi…

coisas do contentamento

enquanto professor - e penso não ser o único, mas falo apenas por mim - fico contente, satisfeitinho com coisa pouca;

por vezes basta um sorriso, uma atitude educada ou correta menos esperada por parte de um aluno, um olhar, uma brincadeira, o reconhecimento por aquilo que se faço, eventualmente pelo ttrabalho que se teve, nada de monta;

desta feita fico, sinto-me deveras contente por uma aluna;

pequena, vivida e gasta pela curta vida que tem, integrou a turma a meio/final do primeiro período, não tem tido integração facilitada;

feitio irrequieto, palavra fácil, temperamento que não sei se é irreverente se apenas instável;

primeiro período fraco, muito fraco; enquadrou-se nos resultados da turma ainda que em termos de relações e amizades tenha ficado aquém do que seria de esperar;

à semelhança de outros tenho procurado não descolar, mas mantendo distâncias, não sei qual é a sua zona de garantia, de conforto; mas falo com ela, faço-lhe perguntas, questiono-a;

vai daí e os resultados ne…

o tempo, senhor, o tempo

Imagem
uma das coisas mais difíceis de se trabalhar na escola é o tempo;

o tempo, para tudo, precisa de tempo;

para saber se percebemos, se entendemos, como nos relacionamos, se gostamos, para esclarecer, para crescer

isto porque hoje até ouvi alguns elogios à direção de turma que todos apregoam como diabólica, maléfica e etc;

não disse, mas pensei para os meus botões é o tempo que se precisa para acertar ideias e agulhas, para percebermos o outro e saber onde podemos e devemos estar

é mesmo uma questão de tempo e não se ensina, aprende-se...

microclima

Imagem
pelas escolas e pelos tempos que correm cada vez circulam menos os novos professores, aqueles que andam com a casa às costas e percorrem um pouco o país, de norte a sul, de leste a oeste; são poucos, cada vez menos, mas ainda existem;

com estes docentes, por estas bandas do alentejo, o mais das vezes oriundos do norte, dá para trocar ideias sobre semelhanças e diferenças entre escolas, entre processos de organização, sobre o contexto e as formas como estes influenciam ou interferem na sala de aula;

hoje, felicidade a minha, tive oportunidade de trocar ideias com uma colega que vem mesmo lá de cima, do minho, que pela primeira vez desceu tão abaixo do país;

diz ela que a grande semelhança entre a escola onde esteve e aquela onde está é, tal como no minho, o microclima; ele há com cada coisa que apenas o microclima pode explicar;

é mesmo uma questão de clima

desobediência

Imagem
primeiros dias de aula, até ontem foram, de forma efetiva, três, muito provavelmente distribuídos entre apresentações, conversas informais e início das atividades;

ontem, e-mail algo de aflição, preciso de falar urgentemente com o colega;

ainda pensei que alguma coisa estivesse a arder ou simplesmente que me tivesse esquecido de algo ou feito alguma coisa indevida - afinal ainda estou em jet lag escolar;

nada disso, um aluno desobedeceu-me, é intolerável, não posso permitir uma coisa destas;
e o que quer a colega que eu faça - eu diretor de turma, pois claro;
que o repreenda, que me aconselhe se lhe levanto um processo disciplinar ou se aguarde pela sua intervenção, quem tem de ser, que deve ser irreprimível,

certo, lá falo com a mãe do rapaz, lá vou à turma falar com os alunos, lá apelo aos professores para que, pelo menos pelos primeiros dias, não levantem processos disciplinares, que saibam gerir as tensões iniciais;

caso contrário, lá para o final do ano, estar-se-á em processos …

primeiro balanço

será cedo, muito cedo, para fazer balanços da minha pessoa, essencialmente decorrente do facto de ter mudado de poiso; mas há algumas ideias que começo a alinhavar em mim mesmo;

em primeiro lugar uma ideia de estranheza
por se manter e perpetuar a burocracia, as artimanhas da desconfiança de um sistema que não considera nada nem ninguém que nele trabalha, vive e convive;
ele são regras, normas, modelos, procedimentos, uniformizações, critérios, tudo processos em nome do aluno, mas que fica lá bem no fundo das paletes de papel que se gastam em seu nome;
são cuidados e preceitos em nome da segurança e da salvaguarda do docente, formas invías de definição de processos de subjetivação profissional que remetem para o inconsciente profissional o medo da prevaricação, do incumprimento;
será que não há outra forma de organizar a escola que não passe pela desconfiança relativamente a quem nela trabalha?
será que não há forma de organizar a escola que permita e conceba incluir diferenças e dife…

arranque

e ontem lá tive a minha recepção a pais/encarregados de educação e a alguns alunos;

para primeira impressão, gostei, dos 21 alunos estiveram 19 encarregados de educação;  não contava com tantos, estão três repetentes de 7º, uns quantos com idade acima, um bem acima, do desejável, ainda pensei que não estivessem; estiveram, ainda bem;

colocaram dúvidas, trocamos ideias e todos fizemos votos para que a coisa corra a contendo;

dou com questões para as quais não estava, nem estarei preparado, houve uma mãe que me perguntou se podia comprar caderno de argolas para a filha;
perante a minha cara de espanto esclarece que o diretor de turma do ano anterior não autorizava cadernos de argolas;
ainda pensei perguntar porquê, mas deixei em branco e apenas referi que podia comprar o que muito bem entendesse desde que respeitasse a adequação à disciplina e ao desgaste de um ano;

mensagens

Imagem
preparo a recepção a alunos e encarregados de educação; serei cicerone de um primeiro dia que é, para muitos, mais do mesmo;

regista-se uma mudança de ciclo, do 2º para o 3º mas nada mais, o contexto, o espaço físico, permanece, as caras de muitos são reconhecidas dos corredores, pelo menos para a maioria;

nesta preparação dou conta de um sítio com adizeres, frases motivadoras, de envolvimento e implicação para alunos, pais, professores, para todos e para trodos os gostos;

das ciências

Imagem
uma das coisas pelas quais me bato passa pela valorização daquelas que são designadas como ciências sociais e humanas;

em tempos em que o papel da ciência se procura restringir às ditas ciências naturais, em que as ciências humanas são desvalorizadas e depreciadas (pela empregabilidade, pelas suas dimensões menos instrumentais) remo em sentido contrário e defendo que a capacidade crítica, de análise, política e de cidadania passa em muito (mas não exclusivamente) pelas ditas ciências sociais;

esta desvalorização vê-se nas escolhas dos pais e dos alunos, na estrutura curricular entre disciplinas estruturantes e as outras e mesmo nas ofertas locais;

quando estão em causa processos de desinteresse e alheamento, de falta de sentidos ao trabalho escolar, de ausência de rotinas em termos de dinâmicas pessoais e escolares atão não é que se acentuam as componentes que pretensamente estão na base de tudo isso, as ciências naturais e se desvaloriza o social?

e depois diremos, por que é de futu…