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Adérito Sedas Nunes

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é figura incontornável na ação social e na sociologia portuguesa;

junto as duas (ação social enquanto intervenção cívica e sociologia enquanto disciplina e área de estudo teórica) para dizer que uma não existe sem a outra - ação não existe fora de um dado campo teórico, como a teoria não se operacionaliza por si e precisa de um campo de ação prático;

hoje, quando muitos dizem e defendem a prática a teoria torna-se essencial para perceber essa mesma prática;

mas não há prática sem teoria;

o ensaio é algo rebuscado, certamente de jovem investigador que se afirma pela vernacologia e se esquece, por vezes, do autor; mas que é interessante é

vale a pena conhecer quem foi ASN;

memória

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deu-nos aulas, ensinou-nos a viver em democracia e em liberdade;

não foi indiferente, nada lhe foi indiferente, ninguém lhe fica indiferente, goste-se, concorde-se, aceite-se ou não;

Semelhanças

Do outro lado do atlântico, aventsm-se nomes para o futuro governo de Trump;

Desta feita foi o nome para a área da educação;

Duas notas:

Quem se associará à retórica, aos argumentos da senhora querendo ou dizendo que cá para a terrinha se precisaria do mesmo? é que o populismo é tanto, que será por demais evidente o óbvio - o que por cá se dirá?

Mais do que perguntar se acontecerá (ou não) questiono antes até onde irá a desregulamentação educativa, o confronto entre lógicas de escolas e como se repercutiram no velho continente?

recordar a escrita

e alguém me recordou que escrevi coisas destas;

logo agora, que todos ficámos muito admirados pela vitória improvável de quem ganhou;

e a escola portuguesa, para onde vai? por onde anda? que consequências terá?

um nobel que diz (quase) tudo

tudo se lê sobre o nobel da literatura; como se fosse uma surpresa...

destaco uma síntese de miguel esteves cardoso:

Dantes toda a literatura se dividia em categoriazinhas de merda – canções, contos, ensaios, reportagens, ficções, peças teatrais, poesia. O júri do Nobel tem feito o enorme favor de voltar a confundir tudo. 
e a escola e a sala de aula podem continuar na mesma, a ignorar este tempo, este mundo e estes modos?

como se traduz hoje a sala de aula e a escola perante esta reconfiguração dos modos de entender a literatura, a arte e a cultura do nosso tempo?

na página do facebook do grupo da disciplina já dei música aos alunos, afinal, é de história que se trata;

obrigado professor

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lembro-me da maior parte dos meus professores, de muitos deles;

desde a então escola primária, a minha professora Gertrudes Caeiro, de quem levei reguadas até mais não,

de muitos dos professores do 2º ciclo, apesar de não recordar os seus nomes,

daqueles que me acompanharam no 3º e que prolongaram pelo secundário, César Cardoso, Cândida Pinto, o Zé Grandela, Madalena Pimental, Celeste Carvalhal, João Leitão (foi meu professor no 2CEB, de educação física, e no secundário, de História), a Maria, Vitor Caeiro,

ou e por que me marcaram na escolha que fiz de vida em seguir História, Afonso Henriques Carvalho ou Celestino David,

há uns quantos mais que recordo com saudade e carinho, mas que não lembro o nome;

ena tantos que me aturaram; e sei que não fui fácil de aturar;

todos eles me marcaram, cada qual com as suas caraterísticas, com a sua pessoa, com as suas disciplinas, com a sua forma de ensinar;

mas há um que digo à boca cheia que foi o professor que mais me marcou, de quem tenho mai…

património

o nosso país e o alentejo de forma particular, é rico em património histórico e cultural;

em termos históricos pode-se fazer uma visita guiada e viver e sentir a história desde a pré-história, no período dos dinossauros na Lourinhã, passando pelo circuito megalítico do alentejo central, por exemplo, até às mais recentes formas de organização do espaço e das pessoas, na casa da Música, no espaço da fundação champalimou ou aos objetos de arte contemporânea de Elvas ou Sines, por exemplo;

agora surge um outro que promete, o
museu interativo do megalistismo, em Mora;

é perto, é acessível e vive-se a história;

mais do mesmo - um ano depois

esta coisa da blogosfera (e/ou das redes sociais) permite ver o nosso histórico, perceber os nossos índices e padrões de coerência;

fui atrás, a agosto do ano passado, ver o que então tinha escrito - ou escrevido como eu gosto mais de dizer;

e não é que disse quase o mesmo do que está abaixo?!

contudo, o trabalho do ano passado foi muito por água abaixo, mudei de escolas e de níveis, pelo menos de um dos níveis;

ele há coisas que, apesar do tempo, são mais do mesmo; mai nada...

e pronto

segundo balanço, das turmas

gostei (e gostei mesmo)

de perceber os receios e a aceitação posterior face ao uma metodologia de trabalho por projeto;

do envolvimento e da implicação da generalidade do pessoal (alunos);

dos resultados, apesar de tudo, acabaram por ser (algo) positivos;

de descobrir curiosidades e cumplicidades por parte de colegas em conselhos de turma;

de (re)descobrir uma escola (agora agrupamento) e de aproveitar circunstâncias e contextos para aprender um pouco mais e fazer um pouco melhor;


não gostei

de idiotas e parvos que têm a mania de se designarem de profes - estão convencidos, mas não o são;

de ter ter dado níveis dois - há muito que não dava meia dúzia de níveis dois como aconteceu este ano - por dificuldade minha em identificar uma ponta por onde pudesse puxar pelo aluno;

de sentir professores presos a grelhas, inflexíveis, intolerantes, dando cabo daquilo que são, professores - por que há bons professores (e profissionais) que se perdem nas grelhas (ainda s…

um balanço

o ano termina, em termos letivos, prolonga-se apenas por exames e rotinas típicas de um final de ano letivo;

em termos de balanço, noutros lados já escrevi algo mais, gostei :)

da experiência do cqep, poderão dar origem a trabalho que designo de autobiografias do insucesso - um prazer, um gosto e um encanto ler histórias na primeira pessoa, perceber o que foram os tempos e os contextos, os modos e as modas - perceber o que não mudou num contexto e numa relação (a das pessoas com a escola);

de conhecer e desenvolver mais e melhor a minha metodologia de trabalho (de projeto); arrisquei algumas experiências, a introdução de outros dispositivos, de ganhar as turmas depois das hesitações e desconfianças iniciais - e tenho pena de não ter resultados para mais, alguns bem mereciam;

de me sentir confrontado com os alunos do vocacional; de perceber que o que faço terá, algures, um qualquer sentido, por vezes rebuscado, outras nem tanto;

a partir dos cursos de vocacional, que me sinto ainda mais c…

final

e, direi mais, finalmente;

entre os discursos que elevam os alunos e as turmas, há também os evidentes sinais do cansaço, do desgaste de um ano de trabalho que fazem com que, aqui chegados, possamos agradecer ter chegados vivos, termos sobrevivido;

é difícil dar a entender a quem não é docente, o quanto é exigente e desgastante o trabalho docente, de sala de aula, de relações e afetos ao longo de meses, dias atrás de dias; umas vezes cansados, outras disponíveis, umas vezes a gerir interesses e motivações (ou a sua falta), a tentar aliciar e envolver quem se recusa e a orientar quem mostra interesse, tudo ao mesmo tempo, no mesmo contexto;

este ano termina, devagarinho;

gostei de conhecer esta gente, gostei de perceber outras lógicas de funcionamento, organização e relação (escolar, pedagógica, educativa);

gostei de me envolver, se bem que muito levemente, com alunos de curso vocacional, perceber a sua falta de sentidos, os seus despropósitos escolares e sociais;

gostei de (re)conhece…

excesso de presente

antecipando um pouco o artigo que surgirá no ComRegras da próxima segunda feira (algo provocador, digo eu), pergunto eu aos meus botões;

não estará a escola portuguesa marcada excessivamente pelo presente?

não estaremos nós (pelo menos os docentes) a desvalorizar, senão mesmo a esquecer, o passado que aqui nos trouxe e o futuro que queremos para os nossos alunos?

não estarão as minudecências do quotidianos, sempre imediatas, sempre urgentes, sempre sôfregas a consumir energias e preocupações que deviam ser reservadas à nossa cultura escolar e profissional?

não estaremos nós tão embrenhados nos processos e procedimentos administrativos (da direção de turma, dos percursos não regulares, do cumprimento de indicadores, do preenchimento de plataformas, de reuniões disto e para aquilo) a esquecer que o futuro também se desenha, que os sonhos também fazem parte dos nossos alunos, que afinal trabalhamos, os professores, ~em função do futuro e não para o presente?

estarei eu equivocado, engana…

da prescrição

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aproveito brincadeiras do antigamente que circulam por aí para dar conta, pela imagem, daquilo que que muitas escolas (diretores mas também professores) gostariam de ter nos seus recantos,

uma intensa quanto apertada descrição e prescrição do permitido e das consequências da sua fuga;

atente-se que não é apenas uma prescrição pública, isto é, não trata apenas daquilo que é permitido, mas também e em particular de como é permitido na descrição (e prescrição) da moda;

finalmente e não menos interessante na associação com a escola que temos, o facto da inimputabilidade das crianças, ou seja, não são consideradas

coisas do passado

que muitos gostariam de rever - obviamente que sob outras formas

do antigamente

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à entrada da sede do meu agrupamento alguém teve a feliz ideia de colocar memórias de muito boa gente;

a carteira antiga, ligeiramente inclinada (dizem agora, depois de décadas de tampo liso e direito que era essencial para a disgrafia), espaço próprio para os lápis como para a a caneta;

não permitia o balancé da cadeira, conjunto agrupado que era o todo;

nem espaço para a mala, longe ainda os tempos das mochilas; apenas curto espaço debaixo do tampo para que se colocassem alguns dos cadernos;

tenho memória de estar sentado ao lado do Cocas, meu parceiro de carteira ao longo de todo o primeiro ciclo e, de quando em vez, forte ponteirada, para evitar trocar o lápis de mão, eu que tinha tendência de escrever à esquerda;

outros tempos, memórias importantes para que o pessoal perceba onde estamos agora...

salas de aula - entre o presente e o futuro

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os problemas do presente são claramente complexos (quando não mesmo complicados) de gerir e ultrapassar,

vai daí e atiramo-nos diretamente para o futuro - com o futuro será que resolvemos os problemas do presente?

notícia aqui;

esperar pelas surpresas ou surpresas a esperar

não me tenho metido (muito) pela área das políticas educativas, em particular dos nomes e das circunstâncias que fazem o novo governo;

tenho de reconhecer alguma surpresa pelos nomes; o meu pensamento vai no sentido de perceber sinais, entender as indicações deixadas; tentar interpretar (quando não mesmo compreender) lógicas e pressupostos por que coincidências só mesmo o pai natal e o coelhinho da páscoa;

para memória futura, pergunto eu:

que objetivos estarão na base das nomeações de um jovem que de escola deve perceber pelo tempo pelo qual lá passou?

que pressupostos estarão na base de nomear académicos e, essencialmente, teóricos entre metodologias e direito administrativo?

que princípios estarão na base de recuperar a juventude e o desporto para a alçada da educação, coisa que não acontecia desde o princípio da década de 90 do século passado (se não estiver totalmente errado com couto dos santos)? como se perspetiva articular educação formal e não formal com informal e social; (u…

para paris, com amor

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os atentados de sexta à noite em paris levantam, em termos de sala de aula, duas incontornáveis questões; cada uma delas mais delicada que a outra:

como abordar a questão em sala de aula, em contextos educativos e de formação de jovens?

como explicar o papel da escola e da ação educativa nestes processos?

Como é fim de semana atrevo-me a levantar uma e outra questão, a não dar uma resposta, por que também considero que não têm resposta, mas a deixar no ar que a sala de aula não pode, não deve ser nem assética à questão, nem indiferente às circunstâncias;

estou certo que por muitas salas de aula a coisa irá decorrer como se nada tivesse acontecido, não se falará do tema por que não é dos conteúdos, não faz parte do programa e por que o tempo é escasso para se abordar tudo o que devíamos e gostaríamos.

Mas também por que a indiferença permite criar a ilusão que tudo continua como dantes, que a distância (física e emocional) aligeira os estados de espírito por que, afinal, a vida, para …

a reforma e o tempo

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o correio da manhã de hoje, sábado, 7 de novembro, traz a notícia de que muitos que estão nas escolas já deram conta, a saída de inúmeros docentes;

contabilidades à parte e a questão que se me coloca passa por tentar perceber os efeitos desta sangria nas culturas de escola;

são os mais velhos que transportam toda a carga mais simbólica de uma escola, desde as estórias do que aconteceu, aos pequenos casos ou acasos que se perdem de tanto se contarem; os mais velhos são guarda viva de memórias passadas que se esfrangalham num presente;

a transição, antes lenta desta memória, permitia que não se criassem hiatos e que as estórias e a memória passassem de uma figura a outra, de um conto a outro e, dessa forma, enriquecessem a cultura profissional e escolar;

a ausência desta memória, o esvaziamento do passado que consequências terá na escola e na sua organização?
que efeitos pedagógicos e sociais (ou socioprofissionais) terá o corte abrupto da memória coletiva?
que raízes se descobrirão na…

memórias de elefante

escrevo por aqui e por ali faz tempo, anos; nunca apaguei nem fechei os sítios por onde deixei escrita e já foram alguns;

estão por aí, para poder avaliar (e, se assim se entender, ajuizar) de coerências, contradições, posições e opiniões;

vai daí e fui lá atrás, afinal estou num agrupamento em que já estive; que escrevi eu quando por aqui estive? que notas e apontamentos deixei? que posts/entradas criei? é que a internet permite-nos uma memória de elefante, não precisamos de muito para repescar escritos, ideias;

vai daí e dei com esta preciosidadeescrita em 17 de outubro e ainda esta, datada de 11 de novembro, de... 2003;
estava eu em exercício de funções na então escola secundária de montemor-o-novo; mas há mais, muitas mais;

12 anos depois de as ter escrito e permanece tudo igual, na mesma, por quê?
digam lá que é dos alunos..., das políticas..., dos governos... não será falta de um sentido coletivo do local?

regressos quase perfeitos

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tinha referenciado o título há dias, ontem tive oportunidade de o comprar;

que maravilha;

sou suspeito, pois claro, sou um incondicional admirador da guerra colonial, não do ponto de vista institucional e/ou militar, mas social, cultural, político; não consigo imaginar o que terá sido retirar jovens com 18, 19, 20 anos de aldeias recondidas do nosso país, que nunca tinham visto outro céu que não o da sua aldeia e serem atirados para outro continente, deixados no mato, prontos para matar e defender a pátria; ao regressar que com olhos reviam a sua aldeia, o céu onde brincaram e amaram, as companhias que tinham deixado, os mais velhos que os questionavam sobre o orgulho que sentiam de ter o filho ao serviço da pátria;

por outro lado, estou, como todos aqueles que estejam acima dos 40 anos de idade, preso e amarrado ao que foi a guerra colonial; tive primos que a ela fugiram, a minha avó, em casamente de segundas núpcias, foi para luanda e dela guardo inúmeros postais que me enviou; um …