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ilhas

a escola portuguesa é um conjunto disperso de ilhas; pelo menos é essa a sensação que tenho;

dificilmente, pelo menos pelo que me toca e por aquilo que conheço, são ilhas dispersas, soltas, longe, muito longe de se constituírem como um arquipélago;

regiões insulares e isoladas, distantes e individuais;

pouca conversa entre elas, pouco, incipiente e algo ineficaz conhecimento entre elas, conhecimento de dinâmicas, de processos, de ações, de projetos, de problemas como de soluções;

cada qual está para seu lado; cada qual pensa o melhor de si, por que se olha ao espelho e se pergunta quem é a mais feliz; os outros as mais feias, por que são sempre os outros os culpados;

é pena, seria útil uma qualquer ferramenta que permitisse interligar escolas, partilhar ideias e circunstâncias (não digo nem problemas nem soluções, apenas ideias);

convém a alguém que se continue distante, isolado, que se mantenham as ilhas; porquê? para quê?

perdas - abandono

há alunos que se arrastam pelos bancos das salas de aula;

prolongam até ao limite a sua presença indiferente e alheada ao que por aqui se passa, se diz ou acontece;

o mais das vezes são jovens que poucos querem na sua sala de aula, complicam, irritam, esgotam a paciência;

hoje um deles faltou-me à aula da manhã e eu perguntei, que é feito dele... que não vem mais, abandonou;

é pena, mais um indigente social que a sociedade acolhe nas margens de si mesma;

a escola fica mais rica na sua pobreza; terá de ser assim? é inevitável que aconteça?

flexibilidade

Imagem
de quando em quando retomao a necessidade de a escola ter condições (flexibilidade) para adequar respostas escolares (e educativas) a casos e situações concretas e particulares de alunos;

um aluno, quase 17 anos, desinteressado, desmotivado, perfeitamente indiferente à escola que nada lhe diz;
os pais não sabem o que fazer, apelam ao diretor de turma (entenda-se à escola) para que arranje uma solução; já lhe bateram, já o castigaram e nada; continua a reprovar, desinteressado e sem alternativas sociais;

na escola não há respostas, teria de estar mais à frente para poder integrar um currículo vocacional, teria de estar mais atrás para outros percursos alternativos;

e o que fazer? aguentar o aluno? o aluno que se aguente?

precisa-se de alguma flexibilidade para a criação de respostas adequadas; precisa-se de um alfaiate e não de um pronto a vestir

abandono

coisa comum, vulgar, algo mesmo ordinária há coisa de 20 atrás o abandono era forma "natural" de criação de turmas de homogeneidade relativa, uniformização de comportamentos e pacificação de comportamentos e relações;
hoje o abandono é problema escolar por via de determinações políticas e sociais; e é assim que o abandono deve ser visto, tratado e considerado, um problema social e político para o qual a escola tem e deve dar respostas pedagógicas e escolares;
nesta perspetiva as taxas de abandono são hoje na escola elementos identificadores de até quanto e de que forma os instrumentos escolares utilizados surtem efeito, mobilizam interesses, são eficazes ou eficientes na sua atuação;
pelo meu lado e pela minha escola pouco eficazes ou mesmo nada, o abandono continua a crescer, e o pessoal a assistir...