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o que se passa

já tinha escrito que o difícil neste período passaria por chegar ao fim;

muitos já desistiram; outros percebem que já está; outros ainda que entre esforço e deixa andar a diferença será curta;

já deixei de pensar que sou eu que estou a ser mau professor, por não conseguir envolver, implicar e interessar os alunos;

ficou para trás o pensar que pode ser o facto de se estranhar uma metodologia de trabalho;

há muito que percebi que não é apenas comigo, não sou só eu a sentir o que sinto enquanto profissional;

há mais; há muitos que ou o dizem quando questionados, ou o pensam de mansinho;

já deu para perceber que na escola básica que frequento há poucas turmas (ou nenhuma) direi, regular, normal,

do 5º ao 9º cada uma é pior que a outra; desinteresse, alheamento, indiferença, apatia, falta de autonomia, displicência absoluta; um le se faire le se passer irritante, constrangedor para quem trabalha;

já tive alunos complicados, já tive turmas complexas, agora estou numa escola complicada e com…

regras

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estava parado no corredor em conversa com grupo de alunos;

entretanto uma aluna atende o telefone e percebo que é conversa com o pai;

fiquei pra morrer;

a forma como falou (?) com o pai deu para perceber a minha dificuldade em fazer com que perceba a diferença entre o que é estar em sala de aula e na sala de convívio, em falar com um adulto e em falar com colegas;

percebi que é quase impossível mostrar a uma recém adolescente que há regras e há modos de se falar, e que não podemos tratar, quem quer que seja, a pontapé, ao grito, pela desconsideração, com falta de respeito;

boa conversa né...

afinal eu é que sou o cota

comportamentos e família

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na passada 4ª feira mais uma sessão de um curso de formação que decorre na escola; 

um eixo local onde, entre outros apontamentos, se falou de comportamentos e família com pessoas que sabem do que falam;

sem grande resumo dois apontamentos que gostei;

o reconhecimento que na área dos comportamentos e da indisciplina em estudo realizado, praticamente 99% dos professores dizem que a culpa/responsabilidade é dos outros, não se incluem no lote de factores propiciadores de indisciplina;

que os jovens saídos da universidade se apresentam na redação do jornal como se fossem de férias, confundindo o tempo de trabalho com o tempo de lazer;

entre um e outro dos apontamentos a grande questão;

se a escola de distancia de responsabilidades e quer é ensinar, para cumprir programas e fazer exames,
se a família se desresponsabiliza das regras sociais, nivelando responsabilidades e comportamentos (como se fossemos todos iguais),
quem resta para educar?

o trabalho do aluno

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sobre o tema muito havia a dizer e a escrever, para além do muito que já se disse e escreveu;

acrescento, em final de período, algumas notas que decorrem dos comentários que tenho trocado com os alunos em processos de avaliação/balanço do trabalho;

levou tempo a perceber uma outra metodologia de trabalho; da "natural" desconfiança alentejana ao que é diferente acrescentou-se uma resistência ao trabalho escolar que tem sido difícil de cortar e quebrar; mas, pela conversa, parece estar a diluir-se;

muitos, muitos mesmo criticam o rigor e a exigência colocada no trabalho da disciplina, que devia aligeirar mais, descontrair um pouco; isto é, há um entendimento mais ou menos generalizado e assumido que a coisa é a brincar, não é para levar a sério;

noto que existe um prolongar dos intervalos pela sala adentro, como se não existe uma porta a separar rotinas, dinâmicas, mundos;

vamos ver como decorre o próximo;

currículos e comportamentos

será que se pode estabelecer alguma relação entre currículo (conjunto de saberes, estratégias e modos de avaliar) e comportamentos escolares?

será que os comportamentos escolares podem ser condicionados pelas disciplinas escolares?

pessoalmente respondo que sim e já na semana passada me insinuei pela escrita;

hoje sublinho ainda mais esta ideia perante as notícias que dão como certa alteração da relação entre disciplinas;

direi que se é certo que a indisciplina se afirma, de forma mais preponderante, no 3ºCEB por via dos interesses, ou falta deles, dos sentidos de escola, ou da sua falta, do sucesso, ou do seu contrário, então teremos que assumir que existem algumas disciplinas onde os comportamentos se afiguram como mais débeis, críticos

caso das disciplinas com maior número de tempos semanais, pelo cansaço que se acumula, pela relação que se desgasta;

caso das disciplinas com maior insucesso, por via do desinteresse, do confronto connosco;

caso das disciplinas com exames, por obriga…

das propostas

ainda do estudo do ComRegras destaco as propostas para reduzir os índices de indisciplina;

já há coisa de dois anos tive oportunidade de participar num trabalho idêntico naquela que era então a minha escola; fiquei a falar sozinho; e vou percebendo do porquê;

as propostas sobre a indisciplina são uniformizantes, redutoras, penalizadoras de apenas um dos lados (quando quase todos apontam múltiplas referências - alunos, família, contexto), instrumentais;

engraçado que do conjunto de propostas apenas três visam os docentes,

Incluir na formação de base de futuros docentes uma componente teórico-prática de gestão/mediação de conflitos;
Fornecer ao corpo docente e não docente, atualmente no ativo, formação específica sobre como gerir/mediar situações de indisciplina escolar;
Apostar num regime de co-docência em turmas de maior insucesso escolar e/ou com problemas comportamentais.
duas assumidamente instrumentais, uma terceira que considero deveras pertinente mas que continua a ser vista como …

comportamentos

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ou da sua falta

o ComRegras apresenta o seu segundo estudo sobre indisciplina;

elementos a reter;

mas o que retenho é a ausência de situações designadas de indisciplinas nos distritos de évora e beja (é certo que não são os únicos, mas são estes que me atravessam);

viva a planura alentejana, a calma e a tranquilidade que atravessa este espaço que é, pelos dados da amostra, um oásis;

direi que é uma ausência de nós próprios, uma consequência do espaço, estamos sempre sozinhos, mesmo que estejamos acompanhados; não damos conta aos outros do que se passa cá por casa, silêncio e a o desconhecimento faz com que tudo permaneça na mesma, como se não existisse;

comportamentos que não são de indisciplina, mas que considero preocupantes...

Porra

Não costume fazer ouvidos moucos ao que se diz em sala de aula, nem fingir que não vejo o que acontece;

Uma aluna solta um porra, que se lixe - e não foi propriamente ao ouvido de colega, ouviu-se "loud and clear";

Chamo-a à atenção, e com toda a estupefação de surpresa, pergunta-me porquê, porque a advirto e a repreendo;

Lá lhe digo que não é preciso correr, pode ir a andar uma vez que estamos no Alentejo e a coisa faz-se devagar;

E pergunta, repetindo, mas porra é palavrão?

Até pode não ser, se em casa assim lhe o ensinaram, mas como exijo linguagem formal (porque escolar e porque em sala de aula) não lhe permito esses desvarios;

São estas pequenas situações, estes "incidentes" que se não forem corrigidos em tempo se tornam comuns e se passa a aceitar o anormal como normal,

Daqui a pouco estamos no tu cá, tu lá - tábém tá

regras

precisam-se

gostei desta exposição;

afinal não é apenas comigo; não sou eu que estou a ficar velho, cansado, impaciente, farto;

não é apenas na minha escola que acontece; não sou eu que estou a ficar desusado,

se bem que, quando o escrevi, houve quem me corrigisse o léxico e a paciência;

nada disso; é em mais sítios, com mais gente; há outros que fazem tilt

e a questão é aparentemente simples;

precisam-se de regras

e os pais/encarregados destas criancinhas, destas mesmas que esgotam a paciência, tiram um professor do sério, nos fazem questionar e interrogar sobre o que fazemos e o que somos, pedem-nos ajuda, acusam-nos de nada fazer, apontam o dedo qual inquisidor;

isto aconteceu com uma turma cujo diretor de turma foi acusado pelos pais de nada fazer em prol dos comportamentos, dos professores não mobilizarem os alunos contra o seu desinteresse, de as estratégias falharem no envolvimento e motivação dos alunos, dos docentes não estarem a fazer tudo o que podem e... devem (?);

espera …

influências

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há muito se sabe e se estudam as influências que um dado território exerce sobre as pessoas e, no caso que me interessa, nos resultados escolares de cada um - resultados em termos de indicadores, mas também de expetativas, percepções, valor;

o território é composto, entre outras variáveis, pela sua história, cultura e tradição, muita das vezes definida pelo princípio de exploração e organização da terra; em tempos O. Ribeiro falava de determinismo geográficos na organização não só do território, mas também das relações;

por onde ando tenho tentado perceber a forma como o território influência, implica ou determina formas específicas ou diferenciadas na relação que cada um assume com a escola - com os resultados escolares, com as suas expetativas...

atenção que falo de ambientes entre o rural e o urbano, contextos ainda muito marcado pelas dimensões rurais mas, digo, em transição (organização e exploração da terra e do território, predomínio de atividades do setor dito primário, ofert…

o papel dos pais/encarregados de educação

ontem reunião com pais (mães)/encarregados de educação;

como gosto, casa cheia, faltou uma encarregada de educação e com justificação;

e dizem que a família não se interessa... tá bém tá;

grande questão, coletiva, geral, de mães e professores, o que fazer ao desinteresse, ao alheamento, à indiferença dos alunos perante o trabalho escolar;

já contava, de um ou de outro encarregado de educação, com a questão, mas não de forma tão geral como acabou por acontecer;

e a grande questão é mesmo esta, como despromover o desinteresse, o alheamento ou a indiferença que muitos colocam à escola e ao trabalho nas disciplinas, em particular;

não há milagres, como não há soluções únicas - hoje resultam, amanhã nem tanto, naquele aluno sim, no outro não e num outro antes pelo contrário;

não sei qual é a solução, mas sei que terá de ser um trabalhado partilhado entre família e escola;

a questão é que a escola é ainda muito rígida nos seus procedimentos, na sua organização - é quase impnesável alterar l…

Desculpas

e, o mais das vezes, esfarrapadas...o meu filho trabalha na área dos recursos humanos (começa pelo entrecosto); hoje chega a casa e pergunta-me se aprendemos as desculpas na escola? Como assim? É que uma funcionária deu uma desculpa típica de quando eu andava no secundário, que estava doente, enquanto no Facebook colocou uma fotografia a almoçar com amigos...pois, na escola também aprendemos a mentir, a dar desculpas esfarrapadas, a considerar que o(s) outro(s) é (são) parvo(s); Lá lhe disse que um dos problemas passa, não por dar desculpas esfarrapadas, mas em aceitá-las...

o envolvimento do aluno

o meu grande desafio (gosto de pensar que dos professores e da escola) passa/é o envolvimento do aluno no seu trabalho escolar;

mais que ser aluno é um pouco a recuperação de uma ideia passada, a de se ser estudante;

ser estudante, no meu pensar, implica trabalho, esforço, vontade, algum sacrifício,
é muito mais que se ser aluno, este mais passivo, dependente, orientado do que descoberto;

para implicar o aluno na dinâmica escolar e/ou disciplinar tenho de pensar em estratégias de envolvimento, em trabalho, em implicação, como envolver o aluno/estudante (por vezes sem ele dar conta);

particularmente quando a escola nada diz ao aluno, têm culturas e orientações distintas (e, por vezes, concorrentes),

quando eles mesmos, os alunos, ou os pais e mesmo os professores lhes dizem que estudar para quê, afinal, não há trabalho, não há empregos;

a ouvir isto de forma persistente, quem se interessa pelo trabalho escolar, pela escola;

tenho optado por duas estratégias,

a montagem de portefólio do…

figuras de autoridade

talvez para futuros desenvolvimento; por ora apenas uma conversa para ver o que resulta;

direi que uma das coisas que tenho notado, em termos de alterações, no decorrer da minha prática pedagógica, decorre das concepções sobre a figura do professor enquanto elemento de autoridade; aluno;

direi que o docente tem perdido (por razões e circunstâncias várias) a imagem perante o aluno (e perante os pais?) enquanto referência de autoridade;

direi, por aquilo que pude assistir nos últimos tempos, que as crianças têm por hábito tratar os adultos que o rodeiam como mais um colega/companheiro/amigo;

esta situação faz com que o aluno olhe para o professor, no prolongamento da relação que tem com os adultos, como mais um;

isto é, os pais são adultos que não exercem a autoridade, o seu poder coercivo, não limitam nem condicionam a ação aos mais novos;

a maior parte das vezes há um prolongamento das situações de adolescência para dentro dentro da idade adulta, isto é, adultos com trinta ou 40 anos …

faltas

já falei e volto a falar da falta de funcionários por algumas escolas que conheço e que frequento;

é constrangedor o ruído pelos corredores fruto da livre circulação e utilização dos corredores pelas crianças;

em escola básica, com alunos entre os 9/10 e os 13/14/15 os corredores são espaço de brincadeira pura;

crítico? não, é espaço de liberdade de ação

deve ser condicionado? deve, mais não seja em período em que, enquanto se brinca, corre, pula, grita e arrebita, decorrem aulas;

a coisa torna-se mais complexa quando consideramos que a brincadeira se desloca com relativa facilidade para dentro da sala de aula, que no refeitório é o ai jesus, que as filas são uma balburdia;

os pais queixa-se disto e daquilo e, pergunto eu, esqueceram-se da falta de funcinoários? da falta que fazem nos corredores?

uma brincadeira

destinada ao espaço do ComRegras que hoje, por razões alheias, se fica por aqui:


No final da semana passada um miúdo do 5º ou 6º ano, isto é, entre os 10 e os 12 anos, foi apanhado com uma pistola feita por ele. Palitos, paus de gelado, alguns fósforos e um elástico. Faria inveja a muitos terroristas que procuram passar com armas pelo controlo de um qualquer aeroporto. Apanhado em flagrante, a fazer pontaria a uma colega, foi-lhe apreendida a arma, levado ao coordenador de estabelecimento e feita participação ao diretor de turma, para além de comunicação ao respetivo encarregado de educação.

Esta situação desencadeou um significativo conjunto de comentários na sala de professores. Na generalidade comentavam a habilidade do miúdo, a sua capacidade inventiva. Ao mesmo tempo destacavam o perigo que era, o risco que se corria. No global dos comentários era este último que se destacava, o risco, o perigo, e se feria alguém? Se magoava algum colega? Se atingia uma vista? Mas houve muitos que …

faltas

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quem pensar que a falta de auxiliares de ação educativa afeta apenas a limpeza está redondamente enganado;

a falta destes elementos torna os comportamentos um alvoroço;

já ontem o escrevi noutro lado, mas a ausência de um controlo por corredores e pátios faz com que os ânimos e o frenesim do intervalo se prolongue para dentro da sala de aula;

este é um dos fatores que faz com que os comportamentos andem mais efervescentes, buliçosos e a dinâmica de sala de aula de mais difícil controlo;

para o professor uma proposta de remediação, que controle a entrada dos alunos na sala de aula, evitando-se o alvoroço, a algazarra, a confusão;

ao controlar a entrada em sala de aula, está a criar, pela imposição de uma regra sua, a diferenciação de comportamentos entre o corredor e a sala de aula;

não é solução, mas pode remediar...

difícil é entender

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ou, melhor dito, fazer entender que a profissão de professor não é pêra doce, acarreta elevado desgaste, consomem-se emoções e afetos e, às páginas tantas, uma pessoa (um professor) fica seco;

numa mesma manhã duas notícias sobre comportamentos e indisciplina,

uma na perspetiva do aluno, no público, outra na perspetiva dos professores, no jn;

a tomar-se como perspetiva, sendo eu docente com mais de 50 anos de idade, direi duas coisas (uma no cravo outra na ferradura);

sinto uma maior flexibilidade na procura de alternativas que mobilizem o aluno para a disciplina e para o trabalho na escola e em sala de aula; consigo identificar e aplicar mais estratégias, mais ferramentas e mais diversificadas;

tenho muito menos paciência para criancices, para o desinteresse, para a falta de educação, para a ausência de pais, para o trabalho isolado;

por aí

noto na minha escola e por aí (o que me preocupa mais) um certo cansaço;

as conversas, o estado de espírito, a paciência está num ponto que mais parece que estamos no final do ano letivo e não apenas na sua terceira semana;

direi que é preocupante, pois as dinâmicas de aulas e de escola requerem paciência, disponibilidade;

não acredito em cansaço, direi que é mais um desânimo, uma certa despaixão, um esmorecimento de sentimentos e afetos;

continuam muitos a dizer que o melhor são os alunos e as aulas, muitos apenas para se iludirem disso mesmo, do stresse de turmas e de alunos muitas vezes desinteressados, alheados, indiferentes;

só mesmo para o profe é que ainda existe algum ânimo nas aulas, no aluno, mas, para uma relação, são preciso pelo menos dois e tem faltado um...

uma coisa é uma coisa

outra coisa é outra coisa;

esta notícia, que achei interessante, daria mano para mangas para quem, como eu, gosta de analisar e perceber as situações de disciplina, as alterações de comportamentos;

sumariamente chega-se à conclusão que existem diferentes perspetivas de análise, de avaliação como de consideração sobre aquilo que uns e outros designam como indisciplina;

para uns, alunos, diminuiu, para outros, diretores, aumentou;

e eu ainda pergunto, e os senhores diretores tiraram a ideia de onde? das participações? dos comentários? dos registos? da sua própria percepção?

mais, se fossemos ver as ideias que cada um dos entrevistados carrega sobre a concepção de indisciplina muito provavelmente ficaríamos ainda mais surpresos com a coisa;