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uma questão de silêncio

em fim de semana reconheço que hesitei em escrever sobre o silêncio;

em tempos marcados por um ruído crescente, com fontes de ruído tão diversificadas quanto cada cabeça, falar de silêncio quase que pode ser contraproducente;

mas cá fica o meu silêncio;

silêncio para destacar o problema de grande parte (mas não de todas) as chefias, dos chefes; sejam eles governantes nacionais ou locais, diretores disto ou daquilo ou simplesmente da escola/agrupamento;

há um momento em que o chefe se envolve, implica, participa, está no meio de nós;

há, diz-se por aí, um qualquer estado de graça que faz com que o chefe oiça o que lhe é dito; são as enchentes de gente depois das vitórias, do reconhecimento e da assunção dos poderes; nestes momentos é bom ouvir, se é que ouvem alguma coisa;

depois as medidas tardam? é por andar a conhecer a casa; as medidas falham? precisa-se de tempo; não obedecem às orientações? por que há, dizem, resistência à mudança;

ao fim de algum tempo, os chefes metem-se para d…

figuras de autoridade

talvez para futuros desenvolvimento; por ora apenas uma conversa para ver o que resulta;

direi que uma das coisas que tenho notado, em termos de alterações, no decorrer da minha prática pedagógica, decorre das concepções sobre a figura do professor enquanto elemento de autoridade; aluno;

direi que o docente tem perdido (por razões e circunstâncias várias) a imagem perante o aluno (e perante os pais?) enquanto referência de autoridade;

direi, por aquilo que pude assistir nos últimos tempos, que as crianças têm por hábito tratar os adultos que o rodeiam como mais um colega/companheiro/amigo;

esta situação faz com que o aluno olhe para o professor, no prolongamento da relação que tem com os adultos, como mais um;

isto é, os pais são adultos que não exercem a autoridade, o seu poder coercivo, não limitam nem condicionam a ação aos mais novos;

a maior parte das vezes há um prolongamento das situações de adolescência para dentro dentro da idade adulta, isto é, adultos com trinta ou 40 anos …

uma questão

de custo ou de valor?

qual delas aquela em que se baseia o problema da educação, de um modo geral, e da escola pública portuguesa?

o governo disponibilizou um sítio com as opções orçamentais; interessante pela falta de hábito, pela pretensa transparência, pela aparente proximidade definida entre governo e governados; para mim, que nada percebo de números, faltam as tabelas com os ditos euros, onde se gasta, o que custam essas opções, onde se aplicam; mas é um caminho;

contudo, tenho de perguntar, o problema da escola resolve-se com dinheiro? se assim for, o problema é de custo;

ou passa por uma outra gestão e organização do que temos, das nossas opções nacionais e locais? se assim for é uma questão de valor;

mais, será que os custos associados à educação conseguem produzir valores?

ou serão os valores da educação que promovem custos? nomeadamente e por exemplo, do trabalho, da produção, da inovação?

e por que não para além das opções de política, isto é, das escolhas que orientam o or…

o tempo e o modo

Imagem
ontem destaquei esta imagem para me interrogar como é que um concelho se pode afirmar na defesa cultural com taxas de abandono e insucesso como as que tem?, como se formam públicos iletratos? há coisas que eu não entendo, mas sou eu;

hoje utilizo a mesma imagem para dar conta das diferenças entre os anos 70 do século passado e o tempo atual;

um(a) professor(a), central na imagem, um quadro e giz, escrita e apontamentos, certamente que conversa, costas com o grupo de ouvintes;

os "alunos" são espetadores, ouvintes, não participam no processo a não ser pela sua presença;

passaram mais de 40 anos, o modelo persiste; justifica-se?

entre riscos e desafios

ainda a propósito da possibilidade de as escolas implementarem uma percentagem do currículo em termos de autonomia, mobilizando conhecimentos, saberes e práticas locais, uma ideia onde cruzo riscos e desafios;

riscos que aqui dei conta, e destaco
a ignorância que grassa em muitas escolas sobre o que é o currículo, que leva a confundir programa e currículo e a ver as disciplinas individualmente consideradas como objetos curriculares;

mas tem virtudes
a de localmente se escolherem e implementarem propostas que promovam o sucesso, criando e gerindo outros e novos equilíbrios - é assumidamente a continuidade da fórmula antes iniciada da delegação (e partilha pelo ministério) da responsabilidade pelas políticas;

afinal, o que é que se pretende?

ensinar mais matemática e português, pois são essas as sujeitas a avaliação?

dar música ou bailado às crianças, mediante a educação pela arte?

promover cultura e aprendizagens locais, mediante o conhecimento da história, do património ou dos equi…

da prescrição

Imagem
aproveito brincadeiras do antigamente que circulam por aí para dar conta, pela imagem, daquilo que que muitas escolas (diretores mas também professores) gostariam de ter nos seus recantos,

uma intensa quanto apertada descrição e prescrição do permitido e das consequências da sua fuga;

atente-se que não é apenas uma prescrição pública, isto é, não trata apenas daquilo que é permitido, mas também e em particular de como é permitido na descrição (e prescrição) da moda;

finalmente e não menos interessante na associação com a escola que temos, o facto da inimputabilidade das crianças, ou seja, não são consideradas

coisas do passado

que muitos gostariam de rever - obviamente que sob outras formas

coisas da (de)formação

a formação, coisa entre a teoria e a prática, entre o saber e o agir, é fundamental para quase tudo no que diz respeito a uma ação, orientação, sentidos e culturas profissionais;

pela formação se definem (e consolidam) modelos da ação profissional, ideias dos papéis (objetivos e estratégias) dos elementos envolvidos, se ganham (ou se perdem) dimensões de flexibilidade e agilização das relações, dos modos e dos modelos de ação;

a formação tanto permite pôr uma pessoa a pensar como lhe pode retirar toda a dimensão cognitiva, caso se descai para áreas instrumentais (ou instrumentalizadas), se procurem comprimidos salvíficos de situações ou contextos;

este 21º governo tem como uma das suas estratégias, na área educativa, a formação;

e bem, os professores bem que precisam de perceber que há muitas e diversificadas maneiras de esfolar a peça, que os processos podem ser diversificados para os mesmos resultados, que os caminhos são muitos para se atingirem os mesmos desideratos;

a formação fa…

coisas engraçadas

sou docente dos ensinos básico e secundário;

neste processo sou obrigado (não sei por quem, mas sou) a definir:
instrumentos de avaliação,
apresentar e elucidar critérios de avaliação,
distribuir pesos e ponderações

se questionado por quem quer que seja lá terei de apresentar provas provadas de conteúdos, metas, estratégias e o que mais for solicitado, registado que está em tabelas, grelhas e matrizes, (sempre para proteção e salvaguarda de nós mesmos);

os alunos mal sabem ler e escrever, mas tudo isto tem de ser feito,

no ensino dito superior, onde as crianças já são adolescentes e, muita das vezes adultos certos e cientes de si, nada disto, tudo fica ao critério (tantas vezes arbitrário e discricionário) do senhor professor;

fazem-se frequências, exames, recursos e coisa que tal e o aluno conhece os conteúdos e já não é mau; quanto a critérios de avaliação, népia, segredo profissional;

diria que nem tanto à terra nem tanto ao mar, certamente ao longo da linha de costa estarão alguma…

E o que se passa com a escola

Depois da minha mensagem anterior, sobre coisas óbvias, algumas notas apenas deste lado; De acordo com o sítio da pordata em pouco mais de 10 anos o investimento em educação mais que duplicou; Na escola estão hoje inúmeros técnicos que antes ou não existiam ou simplesmente não faziam parte da realidade escolar - psicólogos, terapeutas, assistentes, técnicos da saúde, metodólogos, and so on; Hoje a escola tem uma rede de parceiros de malha fina e estrutura alargada; contempla desde os elementos cooptados para o concelho geral como inúmeros outros - IPSS, rede institucional, associações várias, colaboradores e parceiros, sociais e locais, regionais e de maior abrangência; O corpo docente alargou a sua formação e hoje estão na escola inúmeros mestres e doutores como a formação especializada se diversificou e considerou os contextos como lócus de formação e de ação; Para além disso, é, por força das circunstâncias, conhecedor, experimentado e relaciona-se intimamente com o seu contexto; c…

a quem interessam os rankings escolares?

direi, na minha santa insapiência, que a dois grupos de gente:

a todos, desde gente do ministério aos pais/encarregados de educação, passando por docentes e alunos, municípios e pessoal administrativo e operacional; serve para apontar, criticar, descobrir e revelar, conhecer e confirmar, falar e omitir;

a ninguém, pois não vejo, por onde a minha vista alcança, qualquer alteração, mudança de estratégia, outras metodologias de trabalho, apenas conversa de chacha, indiferença conversada, espantos contidos,

em transição

pergunto-me sobre o que leva um conjunto de alunos que podem ser categorizados e enquadrados numa avaliação de razoáveis, por que ou nunca ficaram retidos ou tiveram uma retenção, que nunca apresentaram nem foram identificadas dificuldades específicas (para além das habituais dificuldades de leitura e interpretação), cujos pais/encarregados de educação estão e são elementos presentes, que estão enquadrados em contextos sociais e familiares ditos "tradicionais" a criarem um profundo e significativo desinteresse à escola?

o que leva alunos regulares onde, de partida, tudo aponta para um percurso escolar dito normal (sequencial, de transição, uma ou outra dificuldade mas que não inviabiliza o percurso) a criarem uma aversão quase "patogénica" ao trabalho escolar?

o que leva alunos com idades entre os 10 e os 13 anos onde todos (sociedade e família) olham com expetativa e ansiedade o percurso escolar, em quem depositam esperanças e alguma fé a desistir da escola e do t…

para paris, com amor

Imagem
os atentados de sexta à noite em paris levantam, em termos de sala de aula, duas incontornáveis questões; cada uma delas mais delicada que a outra:

como abordar a questão em sala de aula, em contextos educativos e de formação de jovens?

como explicar o papel da escola e da ação educativa nestes processos?

Como é fim de semana atrevo-me a levantar uma e outra questão, a não dar uma resposta, por que também considero que não têm resposta, mas a deixar no ar que a sala de aula não pode, não deve ser nem assética à questão, nem indiferente às circunstâncias;

estou certo que por muitas salas de aula a coisa irá decorrer como se nada tivesse acontecido, não se falará do tema por que não é dos conteúdos, não faz parte do programa e por que o tempo é escasso para se abordar tudo o que devíamos e gostaríamos.

Mas também por que a indiferença permite criar a ilusão que tudo continua como dantes, que a distância (física e emocional) aligeira os estados de espírito por que, afinal, a vida, para …

ser aluno

começou por ser uma ideia, está, presentemente, extensa e varia entre análise social e sociologia de grupos; falo da minha ideia do que é ser aluno hoje, 2015; daí ser tema de fim de semana;

já deram conta de como aqueles que são rotulados e descritos como maus alunos assumem e se comportam como alunos modelo fora da sala de aula?

é ver os alunos, mochila às costas, sempre impecável (não é usada, pois claro), qual estetoscópio médico que determina o nível profissional em qualquer lugar de saúde nacional;

não é apenas o nível profissional que a mochila dá conta, é o próprio estatuto social que se assume na utilização da mochila, no comportamento direi, ritualizado do que é ser aluno, mesmo sendo mau aluno, ou particularmente por se ser mau aluno;

e, quando se é mau aluno, mais importante se tornam todos os rituais que categorizam e classificam o que é ser aluno e, neste contexto, não importa se mau se bom, importa é que não haja dúvidas quanto ao que se é, aluno (tal como o estetoscópi…

grelhas - matrizes ou a realidade encaixotada

em texto de fim de semana, troco ideias com a minha escrita sobre um dos temas que mais me inquieta e desinquieta, as grelhas e matrizes que pululam pela escola;

grelhas quase sempre existiram na escola, talvez tenham dado à costa, com algum significado, nos anos 80 do século passado com a introdução das planificações e com o acompanhamento dos professores que faziam a sua profissionalização em exercício, obrigados que estavam a esquematizar a realidade escolar e pedagógica, nos planos de atividade que ganhavam destaque então;

nos anos 90, do século passado, foi a área escola grandemente responsável pelo proliferar das ditas cujas, em processos então designados de inter disciplinariedade, pluri disciplinariedade e trans disciplinariedade;

na década seguinte ganharam contornos algo kafquianos, por via da avaliação de desempenho docente e, por dá cá aquela palha, vá de grelha, vá de matriz, vá de tabela; tudo, ou quase, se pode e deve reduzir a uma grelha/tabela/matriz;

hoje, para tudo …

notas de fim de semana - entre critérios e regras

serei dos primeiros a concordar e a assumir que são precisas regras para a (con)vivência social; regras que definem procedimentos, que instituam possibilidades, que clarificam límites;

mas serei também dos primeiros a dizer que tudo o que é demais cheira mal; com regras a mais facilmente se resvala para autoritarismos, para o cercear de liberdades pessoais e individuais, para a limitação da criatividade e da espontaneidade;

difícil mesmo é gerir as regras necessárias e a liberdade individual, a uniformização e a criação que permite (re)criar outras regras;

tudo isto para afirmar que as escolas têm vivido debaixo de regras, que se confundem processos com procedimentos, que se tentam criar regras por dá cá aquela palha;

e, atenção aos pormenores, que fazem toda a diferença, tanto são regras de escritas, discutidas e debatidas, como são regras de procedimento, estas traduzidas em grelhas, em tabelas, em matrizes que, ao definirem e uniformizarem um pensamento em função de uma preocupação…