entre riscos e desafios

ainda a propósito da possibilidade de as escolas implementarem uma percentagem do currículo em termos de autonomia, mobilizando conhecimentos, saberes e práticas locais, uma ideia onde cruzo riscos e desafios;

riscos que aqui dei conta, e destaco
a ignorância que grassa em muitas escolas sobre o que é o currículo, que leva a confundir programa e currículo e a ver as disciplinas individualmente consideradas como objetos curriculares;

mas tem virtudes
a de localmente se escolherem e implementarem propostas que promovam o sucesso, criando e gerindo outros e novos equilíbrios - é assumidamente a continuidade da fórmula antes iniciada da delegação (e partilha pelo ministério) da responsabilidade pelas políticas;

afinal, o que é que se pretende?

ensinar mais matemática e português, pois são essas as sujeitas a avaliação?

dar música ou bailado às crianças, mediante a educação pela arte?

promover cultura e aprendizagens locais, mediante o conhecimento da história, do património ou dos equipamentos locais, ou da fauna, da flora e da geografia de uma terra?

já agora, como?

a participação dos pais (e dos cooptados) ficará restringida ao conselho geral?

determinar-se-ão novos espaços de participação? com que vínculo?

mas são claramente um meio de levar para dentro da sala de aula outras propostas, outras dinâmicas e de encarar os professores de outra forma;

será que os professores assumem a sua dimensão de construtores do saber (mais complicado quanto complexo) e não meros retransmissores (e reprodutores) de saberes feitos por outros (muito mais fácil e prático)?

esta uma ideia que apanha muitos diretores isolados dos seus pares e parceiros,

isolados do concelho geral, muitos arrependidos de terem eleito quem elegeram,

longe, muito longe dos colegas docentes a quem apenas vêem como veículos de imposição e transmissão das suas ordens;

e como se articularão os desejos dos alunos, vistos e considerados ora como objetos de ação e intervenção, ora como sujeitos dotados de vontades, gostos e vocações?

forma de ultrapassar dúvidas e riscos?

pela abertura de processos, mediante a transparência e a não pela opacidade da decisão;
pelo assumir da democracia escolar - ganha a maioria e não um;
pelo pluralismo de opiniões que devem ser ouvidas e integradas;
pela capacidade de avaliar e pela humildade de reconhecer e assumir erros;

esta sim, uma excelente oportunidade de se reconstruir a escola pública;
haja democracia

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