uma questão de silêncio

em fim de semana reconheço que hesitei em escrever sobre o silêncio;

em tempos marcados por um ruído crescente, com fontes de ruído tão diversificadas quanto cada cabeça, falar de silêncio quase que pode ser contraproducente;

mas cá fica o meu silêncio;

silêncio para destacar o problema de grande parte (mas não de todas) as chefias, dos chefes; sejam eles governantes nacionais ou locais, diretores disto ou daquilo ou simplesmente da escola/agrupamento;

há um momento em que o chefe se envolve, implica, participa, está no meio de nós;

há, diz-se por aí, um qualquer estado de graça que faz com que o chefe oiça o que lhe é dito; são as enchentes de gente depois das vitórias, do reconhecimento e da assunção dos poderes; nestes momentos é bom ouvir, se é que ouvem alguma coisa;

depois as medidas tardam? é por andar a conhecer a casa; as medidas falham? precisa-se de tempo; não obedecem às orientações? por que há, dizem, resistência à mudança;

ao fim de algum tempo, os chefes metem-se para dentro, tardam em ouvir por que não gostam de ouvir o que se lhe tem para dizer; insistem e persistem no seu isolamento;

remetem-se ao silêncio e é vê-los mais envolvidos, mais conversadores, mais ouvintes com quem não é da casa do que com os da casa;

os chefes isolam-se, remetem-se ao silêncio, sobem ao seu cantinho, seja ele um aquário de terceiro andar ou um pedestal longe de tudo e ficam em silêncio;

no meio do silêncio não há problemas, não há moengas, não há ruído, não há contraditório;

no silêncio não há nada...

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