porrada e doença

enquanto esperava em sala apinhada de gentes, velhos essencialmente, quase todos acima do 70, ouvia estórias;
uma delas dava conta da fartura da vida, da infelicidade de ter nascido; lá comentei que pelo menos viva e aqui presente, tinha tempo para se arrepender, caso cá não estivesse nem isso sentiria;
de uma só vez deu conta das suas penas, que sempre levou porrada;
porrada primeiro da mãe, qual caldinho que a alimentava na falta da açorda;
porrada depois do marido, que homem de pinga se entornava pelo corpo, marcado em nódoas de tinto;
porrada até do filho que nunca percebeu nem entendeu;
agora que não leva porrada de ninguém, por que a mãe há muito morreu, o marido se foi e o filho está longe, está doente,
rematou a coisa com a simplicidade do tempo, merda de vida

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