não há cultura que aguente

no hal de entrada da minha escola a câmara municipal local tem uma exposição a assinalar os 40 anos da constituição;

lá se destacam as lutas e os sacrifícios e as descobertas que marcaram um tempo;

lá está um ecrã gigantão a dar conta das dimensões culturais do concelho - as exposições, a música, o bailado, conquistas de abril;

no contexto da exposição destaco um pequeno apontamento sobre o que foi, naquele concelho, o processo de alfabetização, levado a cabo por dezenas de pessoas logo após o 25 de abril de 1974;

as turmas cheias, o olhar entusiasmado, o empenho que se nota naquele momento;

pois, foi há 40 anos atrás,

hoje, este mesmo concelho padece de taxas de insucesso e abandono escolar que marcarão uma geração e faz-se o quê?

olha-se o passado pela ação que foi feita, e, neste presente, olha-se para o lado dizendo que a responsabilidade pelo insucesso é de outros;

como será a cultura do insucesso, do abandono?

como se formarão públicos para aquela oferta que ali se mostra?

como se formarão gentes para poder perceber o que ali acontece?

assim, não há cultura que aguente


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