coletivo individual

ou individualmente coletivo

e não procuro brincar com as palavras, antes com a minha profissão;

ser professor é uma profissão que é exercida sempre em grupo ou perante grupos - independentemente das idades que temos pela frente;

mas é também uma profissão que é exercida na solidão da sua preparação, organização e planeamento;

enquanto professores somos tudo e o seu contrário,

os melhores de todos, conheço muito poucos professores que não se classifiquem de, pelo menos, muito bom - e disputam com afinco o excelente;

mas também somos os piores, aqueles que desanimam mais facilmente, que vão abaixo por que um aluno não nos ouve, não nos obedece ou simplesmente por que não gosta de nós;

imagine-se então um professor que, sem mais do que aquela preparação que teve para gerir turmas ditas "regulares" e dentro da média que é possível por aquilo que a normalidade dita, enfrentar situações extremas;

aquelas em que os humores variam como se andassem numa montanha russa; aquelas em que nada há a perder a não ser a nesga de vida que nos consome na indiferença de todos os dias; aquelas situações extremas em que nada há pela frente, nem futuros, nem esperança, nem vontade, nada;

hoje tive uma conversa destas com um colega que estimo apesar de conhecer relativamente pouco; uma conversa onde esteve bem presente o que é sermos individualidades no coletivo e estarmos sozinhos no meio da gente;

uma conversa onde se percebe que podemos ser os melhores por darmos tudo o que temos para dar e os piores por que simplesmente nos sentimos impotentes perante as vidas dos outros;

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