comportamentos escolares e contextos sociais

como é fim de semana atrevo-me, quase sempre, a escrever um pouco mais, a ir um pouco mais além das sínteses que gostava de fazer;

sobre a capa de hoje (28 de fevereiro) do jn algumas notas - que não têm nem a pretensão de ser esclarecedoras, nem a veleidade de serem orientadoras do que seja, apenas um pensar por aqui;

se levarmos em consideração outros países, numa lógica de estudo comparado, será certo que os comportamentos disruptivos ou violentos tenderão a aumentar; e há três razões para o facto considerando os trabalhos em inglaterra, estados unidos ou mesmo aqui ao lado em espanha;

um relativo ao indivíduo, que tenderá a expressar publicamente por intermédio de grupos de pertença ou reconhecimento, grupos de associação que assumem lógicas territoriais ou setoriais, por vezes violentas, mediante a disputa e a negociação;

uma segunda razão dirá respeito ao papel que a própria escola tende a assumir, muito por via de se diluirem as suas dimensões de poder e autoridade perante os jovens (individualmente considerados ou em grupo) e por via da saturação profissional (aqui essencialmente docentes, funcionários e técnicos escolares);

uma terceira remeterá para os contextos sociais e familiares, certamente que cada vez mais fluídos, frouxos e chochos perante os quais as relações se perdem e desvanecem e as regras se assumem em dimensões algo promiscuas;

isto são três razões que separo entre o indivíduo, a escola e o contexto perante as quais a escola pode e deve dar resposta a algumas, mas dificilmente conseguirá abranger todas as três de forma isolada e individual;

reconheço escolas onde as situações de conflitualidade têm crescido e onde, docentes, órgãos de gestão e direção, pais e demais olham aos números cruzando ares entre o espantado, a crença que serão atos isolados e esporádicos ou a incredulidade do que acontece;

poucas, muito poucas têm sido as respostas dadas à crescente conflitualidade escolar;
por um lado por que não existe uma resposta, nem uma solução, apenas possibilidades de prevenir e remediar, compensar ou minimizar; por outro, por que qualquer resposta nunca será nem imediata nem instantânea, requer tempo;

enquanto propostas implica a capacidade (e ousadia) da escola se organizar tendo em vista uma realidade que irá tender a crescer e a fazer mossa;
mediante grupos de trabalho que inquiram as estatísticas e percebam por elas tendências e focos;
mediante a formação a docentes e a auxiliares, de modo a que possam e devam assumir o seu papel e as suas funções em pleno;
mediante a articuação com parceiros locais que impliquem e envolvam o aluno nas suas diferentes dimensões;
mediante o registo e o acompanhamento de tudo isso e de muito ais de mdo a que se perceba onde se falhou o que falha

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