o achismo

nova/velha figura da filosofia tuga, o achismo assenta naquilo que cada um acha, ou deixa de achar, sobre tudo e sobre nada;

dizia-me há dias um distinto conhecido com quem trocava ideias que todos achamos qualquer coisa, se bem que ninguém tenha perdido coisíssima nenhuma, mas achamos sempre alguma coisa;

eu acho... é uma forma de muitos começaram uma conversa, afirmarem perentoriamente alguma coisa da qual pouco sabem, alguns dizem conhecer e todos acham (ou achamos) qualquer coisa (e o seu contrário);

há, também, quem goste de acabar a sua afirmação com um redondinho... acho eu, como se este achar fosse não uma exclamação interrogativa, mas uma questão afirmativa da sua certeza e convicção; aparenta deixar espaço aberto à discussão (enquanto troca de ideias) mas mais não é que um ponto final seguro do que se... acha;

o achismo não utiliza ideias, nem argumentos, baseia-se em meras opiniões, sempre certas na sua convicção, mas sempre a deixar uma ponta de reviravolta, do seu contrário, não vá o diabo tecê-las;

muita das vezes o achismo tem convicção nas suas afirmações, daquelas afirmações que se baseiam na certeza dos ignorantes, que não deixam espaço à dúvida ou ao contraditório, são de tal modo convictas que se fecham sobre si mesmas, não dando espaço (nem margem) a que os outros achem o que quer que seja;

acho eu...

Comentários

Mensagens populares deste blogue

o envolvimento do aluno

militância

Fomos ao teatro