em transição

pergunto-me sobre o que leva um conjunto de alunos que podem ser categorizados e enquadrados numa avaliação de razoáveis, por que ou nunca ficaram retidos ou tiveram uma retenção, que nunca apresentaram nem foram identificadas dificuldades específicas (para além das habituais dificuldades de leitura e interpretação), cujos pais/encarregados de educação estão e são elementos presentes, que estão enquadrados em contextos sociais e familiares ditos "tradicionais" a criarem um profundo e significativo desinteresse à escola?

o que leva alunos regulares onde, de partida, tudo aponta para um percurso escolar dito normal (sequencial, de transição, uma ou outra dificuldade mas que não inviabiliza o percurso) a criarem uma aversão quase "patogénica" ao trabalho escolar?

o que leva alunos com idades entre os 10 e os 13 anos onde todos (sociedade e família) olham com expetativa e ansiedade o percurso escolar, em quem depositam esperanças e alguma fé a desistir da escola e do trabalho escolar? a alhearem-se de si e do seu próprio percurso?

o que leva alunos com um percurso regular, certinho, "normal" e normalizado a desistir da escola, a optar pela retenção, a criarem e alimentarem o desinteresse? a serem indiferentes ao que é a escola ou ao que lhe dizem professores ou adultos?

isto não acontece no reino da teoria nem na utopia de uma cabecita pensadora, não acontece na reboleira de cima ou do lado, acontece no concelho onde trabalho, montemor-o-novo, alentejo central;

hoje, feriado, fui abordado por uma encarregada de educação que me telefonou a pedir ajuda (à escola) sobre o que fazer ao filho; percurso regular, sem retenções, fez 12 anos em outubro passado, está no 7º e, pelas expetativas, terá mais de 6 níveis dois no final do período e uma imensa vontade de desistir, de abandonar, de deixar a escola, o trabalho escolar;

vai ser abordada pela pedopsiquiatria, depois de passar pela consulta particular de psicologia;

nem sequer se enquadra na estatística "normal" de afirmar que a escola é fixe as aulas é que são uma seca, nada disso, para ele (e para outros como ele) escola é sinónimo de desistência, de abandono, de desinteresse e alheamento, indiferença e muita, mesmo muita distância; nem aulas nem escola, nada;

junta-se a mais 4 que estão na turma, um com quase 17 (fará em março) os restantes com 15, todos com três ou quatro retenções (todas entre o 5 e o 7º), muitas consultas de psicologia, muita questão e dúvida por parte dos pais que nunca os deixaram de boa fé, mas onde eles algures se abandonaram, deixaram-se, perderam-se algures;

será de psiquiatria que carecem?
será uma abordagem pela psicologia suficiente?
ou será de apoio educativo e escolar diferenciado que carecem?

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