coisas da (de)formação

a formação, coisa entre a teoria e a prática, entre o saber e o agir, é fundamental para quase tudo no que diz respeito a uma ação, orientação, sentidos e culturas profissionais;

pela formação se definem (e consolidam) modelos da ação profissional, ideias dos papéis (objetivos e estratégias) dos elementos envolvidos, se ganham (ou se perdem) dimensões de flexibilidade e agilização das relações, dos modos e dos modelos de ação;

a formação tanto permite pôr uma pessoa a pensar como lhe pode retirar toda a dimensão cognitiva, caso se descai para áreas instrumentais (ou instrumentalizadas), se procurem comprimidos salvíficos de situações ou contextos;

este 21º governo tem como uma das suas estratégias, na área educativa, a formação;

e bem, os professores bem que precisam de perceber que há muitas e diversificadas maneiras de esfolar a peça, que os processos podem ser diversificados para os mesmos resultados, que os caminhos são muitos para se atingirem os mesmos desideratos;

a formação faz falta aos professores e às escolas (aqui entendidas na sua dimensão gerencialista) no sentido de localmente se poderem equacionar, debater, propor e avaliar modos de ação que permitam recuperar resultados, empenhar pessoas, concretizar objetivos, valorizar contextos;

se a formação tender para dimensões instrumentais (isto é, se for perspetivada para que se faça de um modo, se afunilem sentidos e opções, se ignorem dimensões que não as da maioria ou as do mainstream) então a coisa tende a cristalizar, a criar aquilo que alguns definem como resistência à mudança;

tudo indica que as opções deste governo, na área educativa, sublinho uma vez mais, vão no sentido da contratualização da formação e das estratégias de promoção do sucesso - de resto à semelhança do que já acontece há muito com os territórios educativos de intervenção prioritária, os contratos de autonomia entre outros projetos;

mas, atende-se, segundo sei para junho, isto é, as escolas, os senhores diretores, terão de definir projeto de promoção do sucesso até junho a visarem o próximo ano letivo;

se é certo que as coisas não precisam de coerência interna (a própria tutela fala mas raramente se preocupa com eles, nomeadamente entre projeto de intervenção dos diretores, projetos educativos das escolas ou mesmo aqueles levantamentos e análises sobre resultados escolares) é também certo que uma estratégia de promoção do sucesso precisa de consensos mínimos, necessita da identificação de alguns pontos que liguem ideias de escola e do trabalho dos professores, dos modelos, isto é, como são vistos e considerados, alunos e formas de organização escolar;

sem a identificação de alguns pontos de consenso locais correr-se-á o sério risco (e é apenas um risco) de acontecer o que sempre aconteceu, desbaratarem-se recursos (pessoas, tempo e dinheiro) e os resultados ficarem na mesma;

como se correrá o risco de persistir a mesma sensação que graça há muito no sistema, de incapacidade, de impotência, e, mais grave de "desligação" (de divórcio) entre dimensões do sistema - algo que ligue, una e atribua coerência às determinações do ministério (do governo), o reconhecimento e incorporação na dinâmica escolar pelos seus diretores e que desague na sala de aula, mediante as opções dos professores na gestão da relação ensino - aprendizagem;

espero para ver, pelo menos pela minha escola

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