final

e, direi mais, finalmente;

entre os discursos que elevam os alunos e as turmas, há também os evidentes sinais do cansaço, do desgaste de um ano de trabalho que fazem com que, aqui chegados, possamos agradecer ter chegados vivos, termos sobrevivido;

é difícil dar a entender a quem não é docente, o quanto é exigente e desgastante o trabalho docente, de sala de aula, de relações e afetos ao longo de meses, dias atrás de dias; umas vezes cansados, outras disponíveis, umas vezes a gerir interesses e motivações (ou a sua falta), a tentar aliciar e envolver quem se recusa e a orientar quem mostra interesse, tudo ao mesmo tempo, no mesmo contexto;

este ano termina, devagarinho;

gostei de conhecer esta gente, gostei de perceber outras lógicas de funcionamento, organização e relação (escolar, pedagógica, educativa);

gostei de me envolver, se bem que muito levemente, com alunos de curso vocacional, perceber a sua falta de sentidos, os seus despropósitos escolares e sociais;

gostei de (re)conhecer um concelho marcado por divergências, dicotomias absolutas (e algumas absurdas), muito ideológico onde as ideologias se escondem à mostra de todos; tudo muito marcado por uma geografia social tão complexa quanto complicada;

gostei de me envolver com a formação de adultos, em processos de segunda oportunidade, mediante trabalho que designo de autobiografias do insucesso;

mas a coisa acaba apenas em termos letivos; tudo o mais continua;

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