coisas do insucesso

durante praticamente três anos acompanhei um grupo/turma de percurso curricular alternativo;

este ano estou com dois grupos de curso vocacional;

têm, entre eles, traços comuns, o desinteresse, a indiferença, algum alheamento perante as disciplinas, o trabalho em sala de aula e, de certo modo, pela escola que pouco ou nada lhes diz; comum também o insucesso, as retenções, a aprendizagem;

antes pesquisei, inquiri e apresentei três ou quatro trabalhos; este ano vá de fazer o mesmo, tentar perceber aquele que é o meu contexto profissional;

tenho feito perguntas e percebido o quão difícil é fazer perguntas, pelo menos perguntas que estejam na origem de uma conversa;

dou por mim a configurar aquele que tem sido o meu objeto de investigação há já algum tempo, o processo de transformação do aluno em cidadão social, o papel da ação escolar, dos professores, a (re)configuração de instrumentos e das estratégias fruto dos tempos e dos modos (de ser aluno como de ser docente e/ou cidadão);

mas agora dou por mim a perceber que procuro perceber e estudar o insucesso, o que move o aluno à inação, à indiferença, à retenção;

há pouco, em conversa com um dos grupos de vocacional houve quem me afirmasse o insucesso como coisa "natural" e "normal", porque, afirmou "sempre foi assim" - quando, passo a passo, ano a ano, recuei no seu processo de escolaridade deu conta que nem sempre foi assim; mas a coisa ficou "naturalizada" e hoje "é assim" - terá de ser assim?;

mas também deu para perceber as dimensões docentes envolvidas e, neste aspeto, afirmam que os professores não mudaram, são os mesmos, o que mudaram foram as regras de avaliação;

então precisarão os docentes de um enquadramento diferente para agirem diferente?
perante um curso regular não podem os docentes (re)criar modos e processos, instrumentos e critérios mais... flexíveis, adaptados a quem têm pela frente?

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