estratégias de pais

é engraçado olhar para trás e tentar perceber não apenas o que aconteceu mas, curiosidade minha, perceber o sentido das coisas, por onde se vai, qual a lógica, o fio condutor na diversidade das situações;

tento explicar

não foram só os profes a mudar estratégias de gestão de aulas e de situações - fruto das turmas (caraterísticas e composições), do serviço atribuído (que é até não poder mais), dos programas ou metas (alterações e reconfigurações) ou simplesmente dos devaneios do colegas diretores (que mais parecem moer fininho que apoiar grosso);

os alunos também alteraram estratégias - quer na gestão do seu comportamento, quer na gestão daqueles que eles consideram ser os seus interesses (os profes dizem, na maior parte das vezes, que é mesmo falta de...);

ontem, por dois dedos de conversa com uma encarregada de educação, percebi (julgo eu) a também alteração das estratégias parentais;

longe vão os tempos em que os pais davam plenos poderes e liberdade para que o profe desse uma cacholada no miúdo (nunca me aconteceu no regular), querendo com isso dizer que não importava como desde que o gaiato aprendesse alguma coisa e fosse diferentes daquilo que eles eram;

depois vieram os pais que perguntavam, questionavam, muitos deles apenas em alturas de alguma aflição (final de período, final de ano) remetendo para a escola e a para o profe muita da responsabilidade do e pelo insucesso do catraio; mas ficavam-se por aí;

quase de seguida ou paralelamente a esta surgem as queixas de prevaricação, descricionaridade e arbitrariedade da ação escolar muito por via de exigências familiares de notas, pretensa comparação social, algumas das quais bem redigidas outras por mão própria de advogado - e o profe aguentou;

agora senti que não fazem queixas, nem questionam o trabalho do outro, perguntam pelo filho, como está, como corre; denotam a preocupação da comparação social e das expetativas familiares, mas aligeiram a situação, adornam-na de alguma preocupação pedagógica (e escolar), vão, deste modo, ao encontro da orientação e da gestão dos profes, sempre preocupados com as questões pedagógicas, se o aluno sabe ou não sabe, domina ou não domina os conteúdos, regras, matrizes, conceitos, simbolos;

e assim, mais por via de uma insinuação, da pressuposição que de posição, se alteram e reconfiguram estratégias, se procura condicionar o outro dando-lhe espaço de manobra e ação;

interessante, digo eu

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