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um dia do pior

ele há dias e há dias, há coisas e coisas banalidades do nosso quotidiano educativo e escolar, um aluno que se porta mal, atinge aquele número de faltas disciplinares que implicam moenga; chama-se a encarregada de educação que pergunta o que é que a escola faz para captar e aliciar o aluno (palavras da própria); acertam-se procedimentos e define-se a ação a tomar; tem de se dar conta e conhecimento à diretora, afinal será ela que decide se aceita ou se concorda ou se antes pelo contrário, de permeio é a psicóloga que precisa urgentemente de informações, contactos de uma encarregada de educação por causa da aluna; e tem de ser já, imediatamente, sim chefe... depois é a chefe que chama, afinal que se passa com a turma da qual sou o diretor, lá dou conta, faço o ponto de situação... no final da conversa diz-me que um colega se sente insultado por não lhe ter dado conta da visita de estudo que se fez neste mesmo dia; dar conta, até dei mas à diretora de turma, mas pronto, se ...

flexibilidade

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de quando em quando retomao a necessidade de a escola ter condições (flexibilidade) para adequar respostas escolares (e educativas) a casos e situações concretas e particulares de alunos; um aluno, quase 17 anos, desinteressado, desmotivado, perfeitamente indiferente à escola que nada lhe diz; os pais não sabem o que fazer, apelam ao diretor de turma (entenda-se à escola) para que arranje uma solução; já lhe bateram, já o castigaram e nada; continua a reprovar, desinteressado e sem alternativas sociais; na escola não há respostas, teria de estar mais à frente para poder integrar um currículo vocacional, teria de estar mais atrás para outros percursos alternativos; e o que fazer? aguentar o aluno? o aluno que se aguente? precisa-se de alguma flexibilidade para a criação de respostas adequadas; precisa-se de um alfaiate e não de um pronto a vestir

malandrecos

já dei conta que muitos alunos não sabem gerir os contextos e comportam-se em sala de aula como se estivessem no café; não fazem separação de espaços, não criam fronteiras entre situações ou contextos; mas há aqueles que sem saberem gerir os contextos sabem tirar proveito disso mesmo; um exemplo, um aluno vivaço, claramente desafiadora e instigador da paciência de qualquer docente que no café ao lado da escola sabe chamar as atenções dos colegas mas que cria distância com o docente que, na mesa do lado, toma café; é uma situação algo típica; em sala de aula, quer o predomínio da situação, o controlo do espaço e do docente, qual macho alfa que disputa preponderâncias; no exterior, condicionado que está pela inexistência de fronteiras e pela censura dos outros olhares, se sente condicionado e limitado na sua ação; muitas das vezes o aluno ou a pessoa, não tem consciência disso, age de forma "natural" e "normal", o docente é que tem de saber gerir o seu espaço ...

quem não valoriza o que tem

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um colega pergunta-me sobre se conheço alguém da área das interculturalidades, alguém da universidade; conhecer, até conheço, mas há gente aqui na escola e no teu departamento que é doutorado na área; pensam que foi convidado; nem pensar, irão mesmo convidar um mestre da universidade em detrimento de um doutor da casa; ele há coisas piquininas que as cabecinhas de alfinete, quando inchadas, não conseguem ultrapassar; e é pena, desvaloriza~se o que se tem em casa;

espanto e surpresa e espanto

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um aluno com 17 anos quase feitos, fará no final do mês, ainda no 7º ano;  aparentava até trabalhar, fazia pouco, moía alguma coisa, mas lá ia fazendo o seu caminho sem grandes atropelos nem tropelias;  uma saída ou outra numa ou noutra disciplina, consoante os dias e as circunstâncias, avivava o espírito de rebelde, marcava o seu território de contestação e afronta, sobrepunha-se a regras e a normas que os profes ditavam;  mas, comigo, até ía, devagar, alguns ziguezagues mas, ao fim deste primeiro mês de trabalho, até pensei que estava "fisgado";  qual quê hoje disse-me assim, de chofre, "não faço, profe, não me apetece"; ainda questionei, desculpa, diz lá, explica que não percebo? não te apetece? e voltou a dizer, não me apetece e pronto, não manda em mim;  não explicou e percebi que se avançasse daria moenga, optei por o deixar ali, a sentir as minhas regras sem lhe as dizer, sempre que se mexia lá estava eu, sempre que esboçava algum...

trabalhar com profes

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provavelmente pode parecer normal, mas não é, pode até parecer algo óbvio, mas também não é trabalhar com professores tem muito que se lhe diga; não digo todos, nem digo sempre, mas muitos comportam-se como se alunos fossem, tenho curiosidade de saber o que fariam se os seus alunos se comportassem como eles; há elementos que cruzam uma cultura profissional e que são mais que as suas disciplinas, mas muitas vezes o pensamento disciplinar sobrepõe-se, outras é sobreposto, consoante circunstâncias, situações, objetivos, contextos e fica-se sem se perceber lá muito bem a coisa

o tempo, senhor, o tempo

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uma das coisas mais difíceis de se trabalhar na escola é o tempo; o tempo, para tudo, precisa de tempo; para saber se percebemos, se entendemos, como nos relacionamos, se gostamos, para esclarecer, para crescer isto porque hoje até ouvi alguns elogios à direção de turma que todos apregoam como diabólica, maléfica e etc; não disse, mas pensei para os meus botões é o tempo que se precisa para acertar ideias e agulhas, para percebermos o outro e saber onde podemos e devemos estar é mesmo uma questão de tempo e não se ensina, aprende-se...