notas de fim de semana - gerir o insucesso

notas e apontamentos soltos onde discorro sobre as aulas e os seus contextos, pequenos apontamentos públicos para que não me fiquem pelas gavetas;

ontem perspetivei a minha grande guerra, a reinvenção de nós mesmos pela escola;

continuo a considerar, como outros desde os anos 60 do século passado, que a escola continua como um dos principais instrumentos de governo do coletivo; forma simples, prática e muito direta de gerir os interesses, os objetivos; instrumento que permite posicionar cada um no seu lugar, seriar quem pode ascender, organizar mobilidades, definir fluxos sociais e económicos;

hoje, muito mais que há anos atrás, a escola - entenda-se a ação governativa e as políticas educativas - tem condicionado e delimitado possibilidades, separado trigo do joio, encaminhado quem pode e limitado quem não tem condições;

a escola, mais recentemente, tem criado elementos de seleção social por intermédio das diferentes formas de insucesso escolar e das formas que tem promovido para gerir o seu sucesso - por exemplo, os currículos alternativos, pequenas insinuações quando comparadas com os currículos vocacionais; a disponibilização de técnicos (psicólogos, terapeutas, assistentes) reforça a dimensão seletiva não apenas de pessoas mas dos territórios (de intervenção prioritária, com autonomia) onde se acentuam clivagens e rótulos;

a gestão do insucesso ou, como este governo nos tem apontado, as formas de promoção do sucesso, mais não têm sido que estratégias de gestão dos recursos e das condições sociais de mobilidade, criado processos onde se considera "normal" a exclusão e a seleção; os discursos do rigor, da exigência, do trabalho mais não faz que introduzir nos discursos docentes de conselhos de turma a tónica da seleção, da naturalização do insucesso e das ordens sociais - hierárquicas e funcionais;

e temos deixado isso acontecer

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