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registos

por esta altura, entre perspetivar, preparar e organizar as reuniões de final de ano letivo, também aproveito para me pensar; de entre as diferentes ideias, umas boas outras más, outras assim assim, destaco uma ideia perante a qual sinto algum contentamento; este ano, talvez pela primeira vez, consegui estruturar o meu sistema de registos; registo de informação que troca e cruza o quantitativo (percentagens em fichas e trabalhos e presenças) com qualitativo (ideias, notas, observações sobre o aluno ou sobre o seu trabalho) com informações oriundas do conselho de turma (do diretor, dos docentes) com apontamentos soltos sobre dinâmicas, caraterísticas, projetos; não ficou totalmente acertado este ano, mas tenho uma ideia do que irei utilizar no próximo ano, com muito poucas mexidas face ao atual; para mim, onde o registo é essencial para não me perder entre situações mais ou menos marcantes ou acontecimentos que condicionam tudo e todos, ter alcançado uma estrutura de registo é...

uma aula

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não é uma aula normal nem sequer habitual, mas foi a aula de hoje de uma turma de 9º; trata-se daquilo que eu designo como um processo de confluências; é final de ano letivo, é final de programa é final de semana há que apelar ao questionar, ao incómodo que é sermos nós mesmos; uma aluna pediu e eu orientei a confusão; é uma aula de história

vale sempre a pena

a escola vale a pena, vale sempre a pena se conseguirmos separar a espuma dos dias daquilo que são os dias; no portefólio de uma aluna por mais que a disciplina de História não seja tão importante como Português/Matemática, este ano foi para a qual me dediquei mais e tentei fazer os possíveis para não obter um 2 na pauta e consegui, mas claro sem a sua ajuda não era possível, sem os seus gritos, sem as suas explicações, sem as suas ironias, por vezes sem sentido, mas sempre ironias, sem os seus sermões, que nem eram bem sermões, mas sim ABRE OLHOS. Isto tudo foi uma ajuda para que conseguisse ter e fazer cada trabalho apresentado e Um obrigado por todas essas suas pancas de um prof bacano que nós/EU gosto e claro irei sentir falta, porque como você apanha-se pouco e foi um prazer tê-lo como professor se isto não vale a pena, digam lá o que vale a pena

oportunidade

tenho aprendido - e muito - com os filhos enquanto alunos e eu enquanto pai com a profissão de professor; ontem a filha foi a mafra, visita de estudo/excursão (custou-me a módica quantia de 22€); tal como no ano letivo anterior em que a turma não foi porque penalizada pelo seu comportamento, também este ano houve colegas que não foram por questões de comportamento; e ela pergunta será que não vêem que alguns alunos nunca irão a mafra? será que vocês não percebem que é na escola que alguns alunos têm acesso a coisas que de outra forma nunca vêem ou conhecem? será que vocês não percebem que os comportamentos acontecem por que os professores permitem ou porque alguns alunos não sabem nem conhecem outro modo? são oportunidades que se perdem - ou se ganham

tempo

uma das maiores dificuldades que tenho sentido, enquanto docente, junto de alunos, de docentes e de políticos é convencer o pessoal da importância do tempo; para tudo é preciso tempo; o aluno integra-se naquilo que designo de geração clique, se a resposta não é imediata perde o interesse, desliga, desinteressa-se; o docente quer resultados imediatos, qual comprimido para dor de cabeça, no âmbito da indisciplina, do funcionamento da sua sala de aula, da resposta do aluno às suas indicações; os políticos querem resultados rápidos, de sucesso, de custos, de eficácia; os pais, esses, querem respostas para os seus anseios, para as dúvidas dos filhos, e não são para daqui a pouco, é para já; vivemos uma geração de velocidade, ele é o acesso à net cada vez mais rápido, ele é o telemóvel cada vez mais sensível ao toque, ele é a informação na ponta dos dedos, ele é o relato cada vez mais veloz, ela é a fast food; mas precisamos de tempo de tempo para nós,  tempo para ouvir, ...

entre nós e o futuro

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a capa do jornal i traz uma derivada da escola e da estupidez de algumas políticas educativas; o ano letivo termina e com ele surge a angústia das escolhas e das opções, particularmente em termos de de continuidade de estudos - ensino regular, profissionais, áreas, and so on ; por cá (região) as escolas estão seriamente condicionadas nas opções, seja por via do número de alunos (cada vez menos), seja por via das ofertas (e destaco os profissionais, em que é definida uma rede de alguns e para alguns); sobre a estupidez primeiro, valoriza-se a lógica instrumental da escola, anda-se na escola para um trabalho - e não para uma formação; segundo, valoriza-se um presente, anda-se na escola para daqui a pouco, em detrimento do futuro; terceiro, dá-se valor ao empregador e não ao trabalho, isto é, valoriza-se a dependência e não a autonomia; quarto, destaca-se a produção e não as eficácias ou eficiências; é o que temos, e a grande maioria, aplaude;

ave rara

de quando em vez tenho consciência da ave rara que sou; essencialmente por estar (e me sentir) deslocado da sala de profes; tenho manifestas dificuldades em me sentir ali, de estar ali, de me reconhecer em conversas, em posturas, em atitudes, em práticas; (e até podem comentar que é por manifesta soberba ou arrogância, que provavelmente até será) irá condicionar uma escolha concursal, disso estou tão certo que aqui fica escrevido  (para memória futura); mas sou eu mesmo que cada vez mais sou ave rara;